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O conformismo

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Muitos parecem incapazes de outros desígnios que não os pragmáticos ou imediatos. A vontade de conquistar o melhor lugar possível condiciona sua educação e comanda seu olhar sobre a realidade.

O conformismo não sabe como existir, na medida em que não encontra verdadeiras resistências hoje.

Nesse mundo onde é preciso pertencer a um grupo antes de pertencer a si, aparentemente os indivíduos só existem pelos relacionamentos que conseguem criar, pelas redes que desenvolvem. Para que o sistema de pequenos ajustes funcione eficazmente, é preciso que cada qual se sinta no mesmo nível que os demais, que se sinta levado pelo mesmo fluxo, que pertença a um mesmo ambiente.

A religião em geral constitui um lugar particularmente propício onde os indivíduos ou grupos procuram algo a que agarrar-se, abandonando a sua liberdade por desejo de se submeter às ordens vindas do alto. Daí que é surpreendente constatar a extraordinária liberdade de Cristo relativamente a todas as obrigações que então definiam a verdadeira vida religiosa do seu próprio tempo.

A vida cristã mede medo, porque se chama liberdade no Espírito. Assusta cada um de nós, porque ninguém sabe até onde essa liberdade pode conduzir. Somente ao assumirmos nossas tarefas humanas é que experimentamos o que pode implicar a fé cristã. Apenas na condição de viver essa humanidade sem reticências nem medos é que compreendemos ao que de fato nos compromete a fé.

A fé só se torna pertinente e significativa na maneira de assumir nossa afetividade, nossa angústia, nossas esperanças. E é ao nível dos gestos mais simples que se inventa ou se esboça uma resposta que se espera fiel ao Espírito. Sabe-se que há coisas que um cristão faz e outras que ele não faz. Distinguem-se especialmente os sinais de quem o é na maneira de votar, no comportamento para com o dinheiro, na concepção da educação dos filhos, na atenção aos fenômenos das novas pobrezas.

Somos hoje demasiado apressados em observar, analisar, observar o peso das coisas à nossa volta. Temos descobertas por fazer: novo modo de situar-se na existência supõe uma atitude alimentada pelo acolhimento do outro, faz do dom de si a atitude recíproca ou a contrapartida desse acolhimento.

 

*Tarcisio Padilha Junior é engenheiro