O mesmo vale para a administração

Nossa inabilidade gerencial de pensar em termos políticos tende a nos fazer olhar os indivíduos como se eles tivessem problemas pessoais, quando muitas vezes os problemas são resultantes dos lugares que eles ocupam na estrutura da sociedade. A vida moderna sobrecarrega nos indivíduos em muitas atividades que são independentes de qualquer atributo pessoal. Eles são perturbados com o ambiente sufocante das grandes cidades, ou mesmo abandonados e isolados em bairros longínquos.

Mudanças na situação em que os indivíduos se encontram são muito mais úteis para melhorar a qualidade de vida do que conselhos, como se seus problemas fossem causados pela personalidade ou pelo caráter. Assim como a promoção de mudanças no ambiente de trabalho  redesenhar o layout do escritório, transformar os relacionamentos de subordinação, alterar os cronogramas — tem melhores condições de mudar o comportamento do que, por exemplo, o próprio treinamento gerencial.

Muitos consideram as organizações um simples agrupamento de indivíduos. Mas os relacionamentos — os vínculos entre as pessoas — são muito reais e têm vida própria. Em grande parte, determinam o comportamento de uma organização e de todos daqueles que a compõem. Fato é que efetivamente as pessoas respeitam as mudanças audaciosas, e é mais provável que confiem em uma mudança se ela for grande o suficiente para resistir a qualquer tentativa de oposição.

As pessoas só conseguem promover mudanças duradouras em si mesmas através de um compromisso com uma disciplina contínua. As dietas de feito imediato, por exemplo, não funcionam, mas uma modificação permanente dos hábitos alimentares funciona. As visitas a spas não funcionam (depois que terminam), mas a prática diária de exercícios físicos decerto funciona. O mesmo vale para a administração.

Sabemos que as pessoas evoluem não apenas a partir das coisas boas que lhes acontecem, mas talvez ainda mais em decorrência das coisas ruins. Essas experiências costumam levar as pessoas a fazerem grandes reavaliações de suas vidas e a mudá-las de maneira tal que revela um conhecimento mais profundo de sua própria capacidade, de seus valores e metas. As empresas costumam reagir da mesma forma às grandes adversidades. A exemplo das pessoas que passaram a se confrontar com as crises, as empresas que se esforçam para vencer desenvolvem a capacidade de se reestruturar.

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro.