Os danos de um alarme falso de incêndio

Parte tão importante no sistema de segurança de um empreendimento, os alarmes anti-incêndio podem gerar muitos transtornos aos funcionários de uma empresa. Quando acionados desnecessariamente e com muita frequência, viram objeto de descrédito e, em vez de garantirem a segurança, passam a pôr em risco a vida de todos os ocupantes do local. Afinal, quem nunca ouviu um alarme falso e, simplesmente, o ignorou? 

Além da dúvida e da insegurança que pode gerar às pessoas, o alarme falso pode provocar prejuízos técnicos e pouco conhecidos do grande público. Ao ser ativado com constância, sistemas interligados, como o de ventilação e ar condicionado ou outros de segurança, podem ser desgastados e se tornar ineficazes em situações emergenciais. Mas por que existem tantos avisos falsos atrapalhando o cotidiano dos estabelecimentos?

 Em 2008, supervisionei um projeto junto a uma empresa multinacional especializada em incêndio, que durou quase dois anos e traçou um perfil desses dispositivos. Tendo como objeto de estudo os 271 alarmes ativados em uma empresa química durante o período, o trabalho chegou à seguinte conclusão: inicialmente, os primeiros dois alarmes não ocasionariam nenhum custo ou descrédito; o terceiro e quarto já custariam cerca de R$ 500, gerando um pequeno descrédito; enquanto do quinto em diante o custo seria de R$ 1.000 por alarme falso e os funcionários perderiam total confiança nos eventos do sistema.

Cerca de 70% dos alarmes eram falsos, acionados por quatro diferentes razões: erro de usuário, provocado, por exemplo, pela falta de treinamento; mau funcionamento ou falta de manutenção do sistema; trabalho realizado sem notificação e comunicação entre os funcionários; e dano do sistema, que podia ser acidental ou deliberado.

Esse tipo de problema é sempre mais fácil de ser resolvido quando é subdividido em componentes menores. A solução pode levar algum tempo, com reuniões para se discutir as operações, entender a procedência de cada erro e implementar um manual de como se portar nessas situações.  Por se tratar de um dispositivo de emergência, o alarme de incêndio jamais pode gerar dúvidas e deve sempre estar em perfeitas condições para evitar tragédias.

* Ilan Pacheco é engenheiro eletricista, pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho e Diretor de Vendas da ICS Engenharia, empresa especializada em proteção contra incêndio.