Os lobos e o 'bullying' no mundo virtual

Lobos são identificados como caçadores de ovelhas. Já lobos com pele de cordeiro são mais difíceis de ser identificados. Com o advento da internet e a recente popularização dos computadores pessoais e smartphones, o mundo físico (offline ou desconectado) em que lobos são lobos, cordeiros são cordeiros, dá lugar ao mundo virtual (online ou conectado), criado pela tecnologia e inovações digitais.

Nessa realidade que mistura o real e o virtual, lobos com pele de cordeiro encontram terreno fértil para o cyberbullying — termo de origem inglesa composto pelas palavras cyber (digital) e bullying, tendo bully um significado próximo do nosso “valentão” — ou “perturbação online”.

Assim, crianças e jovens podem ser vítimas de agressões virtuais que causam transtornos como depressão, isolamento e tristeza profunda, recebidas em redes sociais, SMS ou celulares. Combater esse fenômeno representa uma tarefa árdua. Há um consenso por parte de especialistas de que quanto maior é a interferência dos vários protagonistas da vida das vítimas — pais, professores e comunidade —, maiores são as chances de êxito.

A escola tem papel fundamental nesse combate através do estímulo à convivência com o diferente e a construção de práticas solidárias, com atividades esportivas e manifestações artísticas como teatro, dança, sarau de poesias etc. Isso pode reduzir os impactos do cyberbullying. A tarefa dos pais é gigantesca: criar laços de proximidade com os filhos, promovendo constante diálogo, convívio e cumplicidade, acompanhando-os de perto no mundo virtual e real. Dessa forma, são grandes as chances de reduzir os danos das perturbações do cyberbullying.

* Claudio Paris, licenciado em ciências e biologia além de pós-graduado em educação, é professor de colégio conveniado ao Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva, e gestor da Nova Geração, comunidade terapêutica que assiste jovens vítimas de exclusão social e drogadição