O intraempreendedorismo e o desenvolvimento sustentável do país

Antigamente, o Brasil era o país do futuro, mas, agora, ouvimos por aí que o tão aguardado futuro já é presente. A estabilidade econômica, o ganho de altos investimentos e o empreendedorismo do brasileiro são alguns dos motivos desse acelerado crescimento econômico. Começamos a atrair a atenção e os olhares de grandes potências mundiais e, dessa forma, passamos de figurantes para a posição de protagonistas, no mercado global. O Brasil empreendedor é o país que tem dado certo. Conforme pesquisa feita com os países do G20, o brasileiro é o segundo maior empreendedor, perdendo apenas para a China. Os números mostram que cresceu o número de empreendedores, mas cresce também, a cada dia, a demanda por um tipo de profissional responsável pelo desenvolvimento dessas instituições: o intraempreendedor. Quem são esses profissionais? Em quais setores são indispensáveis? O Brasil tem atendido a essa demanda? 

A princípio, o intraempreendedor tem papel semelhante ao empreendedor tradicional, ou seja, aquele que busca abrir o seu próprio negócio, uma vez que ambos visam transformar a visão em realidade, com o objetivo de atingir o sucesso empresarial e a recompensa financeira. Contudo, enquanto o empreendedor arrisca o seu negócio e todo o seu capital investido, o intraempreendedor aposta sua carreira e o emprego, pois induz a empresa que o contrata ao investimento em negócios que ele projeta como de sucesso.

Geralmente, as grandes empresas possuem áreas de novos negócios, que empregam verdadeiros empreendedores internos, agora denominados de intraempreendedores, que nada mais são que profissionais de diversas formações, que se destacam pela ousadia, criatividade. Os intraempreendedores devem aplicar todos os seus esforços para o crescimento e perpetuação da empresa, conquistando novos negócios consistentes, lucrativos e que gerem valor para os acionistas da empresa investidora.

Criar novas oportunidades de negócios não é tarefa fácil. Afinal, não é de hoje que as empresas buscam profissionais ousados, distantes do tradicionalismo, que quebrem regras e ainda tenham espírito de liderança para buscar inovação. Com isso, esse novo padrão de profissional assume os cargos de destaque nas organizações modernas e precisam prospectar o mercado em busca de empreendimentos promissores.

Uma pesquisa do Instituto CRF revelou que 28% das empresas brasileiras têm dificuldades para preencher cargos de alto escalão. Em níveis de gerência, a busca por talentos chega a 44%, contra 17% de carência na Europa. A demanda é sempre para ontem. A solução está na acessibilidade às instituições de ensino de qualidade que tenham formação em visão empreendedora, pois os intraemprendedores não deixam de ter características parecidas. Nas universidades norte-americanas, empreendedorismo e inovação já são temas centrais.  

No Brasil, existem várias instituições de renome que preparam intraempreendedores, como a FGV, PUC, USP, entre outras, e que também levantam a bandeira de que o empreendedorismo é uma forma democrática e viável de promover o desenvolvimento sustentável do país. A formação de intraempreendedores deve contemplar em seu currículo temas como pensamento estratégico e estudo de oportunidades, análise do ambiente macroeconômico, inovação, estudos de mercado, métodos de previsão de demanda, planejamento de marketing, fundamentos de finanças empresariais, noções de cultura empresarial e arquitetura organizacional, capital de risco e captação de recursos de terceiros, planejamento financeiro, necessidade de capital de giro, estudo de viabilidade financeira e elaboração de plano de negócios. 

Empreender e desenvolver novos negócios devem ser uma busca contínua para sustentar o equilíbrio e o progresso do mercado. O Brasil está no caminho certo nas atividades empreendedoras, mas ainda nos resta desenvolver infraestrutura e condições para garantir características empreendedoras e intraempreendedoras que fazem as empresas crescerem ainda mais. Dessa forma, será possível afirmar, com certeza, que o futuro chegou.


* Marcus Quintella é professor da FGV. - [email protected]