Moradia e liberdade para os jovens

Morar bem, de forma independente e ter liberdade no lar são os principais desejos de muitas pessoas atualmente, principalmente pessoas jovens, casadas ou não. As pessoas gostam muitos dos pais, gostam da proteção, da segurança que o lar paterno proporciona, mas a liberdade é muitas vezes restringida quando se é dependente da moradia dos pais. No cotidiano dos jovens pode-se encontrar muitas demandas que necessariamente não precisam da presença dos pais para serem supridas. Apesar da questão de afeto, amor, saudades, muitas vezes o lado financeiro e a liberdade pode ser mais relevante culminando com os jovens deixarem a casa de seus pais até mesmo antes do casamento.

Mas também existem muitas famílias que são agregadas aos pais do chefe dessas famílias, principalmente por questão financeira, por não ter recursos para pagar uma moradia independente, seja alugada ou própria. Muitas pessoas casam ou se juntam e ficam morando com os pais simplesmente por falta de condições de viverem de forma independente. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) do IBGE, 58,2% dos chefes de famílias de até 15 anos pretendem ter a própria moradia, 64,7% dos que tem entre 16 e 20 anos também pretendem sair da casa dos pais. Esse percentual aumenta até a faixa dos que estão entre 21 e 25 anos (70,0%), a partir de então começa a diminuir a vontade dos chefes de famílias de se mudarem da casa dos pais.

Evidências internacionais indicam que as mulheres saem mais cedo de casa, principalmente em razão de casamento ou outro tipo de relacionamento, os homens estão mais relacionados a questões econômicas. O desemprego pode afetar negativamente dos homens saírem de casa. Ao contrário, em período de forte crescimento econômico a probabilidade dos homens jovens saírem da casa dos pais é maior do que em período de baixo crescimento ou de recessão. Um fator relevante para definir se um jovem sai ou não da casa dos pais apontado por vários estudos são os preços dos aluguéis. Quanto maior o preço dos aluguéis de moradia, menor a possibilidade dos jovens saírem do lar dos seus pais.

Recentemente, o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) realizou uma pesquisa utilizando dados do PNAD de 2009 para jovens de 18 a 29 anos para descobrir quais são os fatores importantes para definir se um jovem sai ou não da casa dos pais. Utilizou-se o ferramental da econometria para a realização dos cálculos. As principais conclusões desse trabalho do IPEA é que se o jovem é casado é o fator mais importante para querer sair da casa dos pais. Outro ponto importante é que à medida que os jovens vão ficando mais velhos (sejam casados ou não) aumenta o desejo de sair da casa dos genitores, mas após certa idade esse desejo passa a diminuir. A mulher tem maior probabilidade de sair da casa dos pais do que os homens. Os jovens e as jovens das grandes cidades e das Regiões Metropolitanas ficam mais tempo morando com os pais do que os jovens que moram em cidades menores ou na zona rural.

A liberdade é algo que todos desejam ter, principalmente quando se é jovem e tem uma família para cuidar. Atualmente com as mudanças culturais, entre as quais a independência financeira da mulher que passou a trabalhar mais e a estudar mais, os jovens do sexo feminino também passaram a sair da casa dos pais para irem a busca de novas oportunidades financeiras e profissionais principalmente se essa jovem mora em cidades de pequeno porte ou na zona rural. Infelizmente, muitas das oportunidades profissionais para os jovens se encontram em outras cidades, muitas vezes bem distante do local onde seus pais moram. Ao mesmo tempo, existe uma quantidade muito grande de famílias que são privadas de graus de liberdade porque não possuem renda e nem recursos suficientes para pagarem uma moradia e continuam morando com os pais.

*Francisco Castro é economista - www.franciscocastro.com.br