Rio+20: um outro mundo é possível 

É a orientação da presidenta Dilma no Fórum Social Temático (FST), em Porto Alegre: “Eu considero essencial na Rio+20 discutir um outro paradigma. A função da Rio+20 é colocar entre os governos a questão da crise e como sair dela. Discutir a desigualdade social que atinge os países do Terceiro Mundo e emergentes. O acesso à água. Então vocês discutam novos paradigmas, se vocês quiserem, anticapitalistas”.

Disse mais a presidenta: “Nossos países, hoje, não sacrificam sua soberania frente às pressões de potências, grupos financeiros ou agências de classificação de risco. Mas sobretudo nossos países avançam fortalecendo a democracia. Na América do Sul, como diz aquela canção da Revolução dos Cravos, da revolução portuguesa: ‘O povo é quem ordena’.”

Esta cidade – Porto Alegre –, disse ela, “transformou-se em referência para todos aqueles que buscavam criar uma alternativa ao desequilíbrio da situação econômica e política global. Aqui, afirmou-se a ideia de que um outro mundo é possível. Aqui, estavam, como hoje aqui estão, os que não sucumbiram ao pensamento único, nem acreditaram no fim da história”.

A Rio+20, segundo a presidenta Dilma, “deve ser um momento importante de um processo de renovação de ideias. Centrado na importante questão ambiental e nos problemas da mudança do clima, o encontro do Rio vai enfrentar uma questão mais ampla e decisiva: estará no centro dos debates um novo modelo de desenvolvimento, contemplando três dimensões – a econômica, a social e a ambiental. O que estará em debate na Rio+20 é um modelo de desenvolvimento capaz de articular o crescimento e a geração de emprego; a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades; a participação social e a ampliação de direitos; a educação e a inovação tecnológica; o uso sustentável e a preservação dos recursos ambientais”.

Os debates foram intensos no Fórum Social Temático. Foi construída uma aliança estratégica entre movimentos sociais e populares, ONGs, lideranças sociais e políticas, para levar à Rio+20 ideias e propostas de outro mundo possível. Diz a Declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais: “Nós, povos de todos os continentes, reunidos na Assembleia de Movimentos Sociais, realizada durante o FST Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, lutamos contra as causas de uma crise sistêmica, que se expressa na crise econômica, financeira, política, alimentar e ambiental que se irradia por todas as dimensões, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade”.

Os eixos comuns de luta, adotados na Assembleia de Dacar, em 2011, são reafirmados agora em 2012:  luta contra as transnacionais; luta pela justiça climática e pela soberania alimentar; luta para banir a violência contra a mulher; luta pela paz e contra a guerra, o colonialialismo, as ocupações e a militarização de nossos territórios.

Como ações concretas, foi decidido realizar, no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, “uma grande jornada de mobilização global contra o capitalismo e em defesa da justiça ambiental e social”. E “fazer entre 18 e 26 de junho, no Rio de Janeiro, uma grande moblização mundial, com acampamento permanente, uma marcha de 1 milhão de pessoas e realizando a Cúpula dos Povos”.

2012, portanto, não será ano de descanso. Como sinalizou o final do discurso da presidenta Dilma no Gigantinho: “Os grandes movimentos da humanidade são feitos de ação, mas também de esperança. Foi a esperança que moveu a minha geração, décadas atrás. Hoje, quando olho o caminho percorrido e para os objetivos alcançados, só posso dizer a vocês: valeu a pena. É essa esperança que nos une e nos mobiliza para a Rio+20. É essa esperança que deve sempre nos guiar na busca de um novo modo de vida, inclusivo e sustentável. Sabendo que o papel da sociedade civil será determinante para o êxito da Rio+20, conto com a mobilização, com o engajamento e a presença de vocês no Rio de Janeiro. Eu tenho certeza: UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL”.

Selvino Heck é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República