Conservar histórias e vidas 

        Mais uma vez o Rio de Janeiro é palco de uma tragédia imensurável. Se esta década tem todos os atrativos para manter a cidade em evidência, episódios como o desabamento dos prédios no Centro nos permitem a seguinte indagação: diante de tantos investimentos em obras será que não está prevista a conservação e fiscalização do patrimônio mobiliário do Rio Antigo, inclusive pontes e viadutos? Dois grandes acidentes aconteceram recentemente, levando a vida de pessoas inocentes. E como fica isso? 

        Segundo especialistas, para se fazer uma reforma dentro de um apartamento ou sala, por exemplo, não existe a obrigação legal de pedir autorização à prefeitura, mas a necessidade da aprovação por um profissional existe sempre. E aí surge a falta de cultura da sociedade com a profissionalização, ou seja, engenheiros e arquitetos pouco são procurados, já que o jeitinho brasileiro prevalece, e obras e reformas são executadas por pessoas sem qualificação adequada.

        Se na Europa o patrimônio histórico é conservado, por aqui isso não é uma realidade. Apesar de não se configurar um crime, não haver uma política séria nesse sentido é no mínimo constrangedor. No Rio, capital cultural do país, há muitos prédios antigos, e nada é feito. Em verdade, devemos refletir qual a responsabilidade de cada cidadão, que em muitos casos é conivente com omissões e negligências. A ideia de que é só oferecer ao brasileiro futebol e Carnaval que está bom já é coisa do passado. Em pleno século 21 devemos assumir outra postura em prol da garantia dos nossos direitos básicos. Só assim garantiremos a conservação de nossa história e, essencialmente de nossas vidas.

Marcos Espínola é advogado criminalista