Ciência, inovação e  desenvolvimento sustentável

A crise financeira deixou o sistema de ciência, tecnologia e inovação mundial claudicante, apesar de os países considerarem a pesquisa científica importante para induzir as mudanças necessárias ao modelo produtivo. Ainda não se tem clara uma política transparente de quais são os mecanismos de transferência do conhecimento gerado pela pesquisa dos laboratórios para as indústrias.

A maioria dos governos afirma que para realizar a mudança de modelo econômico atual para nos proteger das crises é imprescindível apostar no conhecimento, na formação de recursos humanos e na inovação. Mas, quando chega a hora de definição de uma política clara, esta convicção se desvanece. Tem que ficar claro que os benefícios de um sistema robusto de pesquisa e inovação compensam os recursos investidos nestas áreas. Talvez, com exceção dos Estados Unidos, que vêm levando isto a sério, nenhum país associa em seus financiamentos governamentais a pesquisa com a inovação com o objetivo de se obter o desenvolvimento sustentável.

A excelência científica é imprescindível apesar de não traduzir diretamente em potência inovadora, mas esta depende, entre outros componentes, da pesquisa, que também se relaciona com a formação de novos cientistas, fato tão importante ao futuro do país. Deve-se ter claro que sem a pesquisa não teria sido desenvolvida a maioria dos equipamentos, materiais e produtos apresentados e utilizados pela sociedade. Ou seja, a revolução industrial se deve aos descobrimentos científicos que mudaram a história do planeta.

Um país mais competitivo e produtor de novas tecnologias e inserido no mercado mundial não pode prescindir da ciência. Deve-se desenvolver junto aos cientistas uma política para olhar mais de perto os resultados de suas investigações, além de aumentar a responsabilidade dos laboratórios em se engajarem na filosofia do desenvolvimento econômico sustentável.

Esta política deve diminuir a burocracia kafkiana existente nos institutos de pesquisas e nas universidades, que não valorizam os trabalhos de seus pesquisadores. A outra barreira está no financiamento adequado —  envolvendo o governo e o setor produtivo — de projetos que levem à inovação e ao desenvolvimento.

Nosso país possui uma ciência internacionalmente reconhecida e competitiva — e isto é muito bom — mas chegou a hora da indução de uma ciência que tenha uma sinergia com o setor produtivo nacional.