Pra frente, Brasil 

Após eleição e posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em nome de uma suposta governabilidade calcada em arquiteturas legislativas concebidas pelo Poder Executivo brasileiro, por intermédio de mais um flagrante escambo político, o governo federal concedeu o comando do Ministério do Esporte ao retrógrado e sectário Partido Comunista do Brasil, muito provavelmente pela tradição da União Soviética, China, Cuba e Leste Europeu, em originar exitosos programas olímpicos. Enquanto isto, neste Febeapá tropical bonito por natureza, ó festeiros cidadãos fluminenses, indignai-vos com a estapafúrdia arbitrariedade empreendida pela Confederação Brasileira de Futebol, capitaneada por um distinto cartola de nomeada Ricardo Teixeira que, inexplicavelmente, reservara apenas a final da Copa do Mundo ao público espectador do Rio de Janeiro

Em prol de uma contumaz sustentabilidade partidária, os insuspeitos membros do PCdoB, a exemplo dos idealizadores do irrefutável caixa 2 de campanha, se imbuíram de aprimorar o contumaz processo de arrecadação ilícita, que patrocina eleições com o erário público. De acordo com documentos apresentados pelo tal delator de fardão xadrez e metralhadora giratória, as práticas eleitoreiras se constituíram através de falcatruas oriundas das organizações não governamentais. Todavia, assevera o ex-ministro, esta escandalosa prática criminosa não se deve levar em consideração, afinal de contas foi apontada por um vil homem já acusado por desviar verbas públicas do programa Segundo Tempo, em sórdido conluio sem autorização da cúpula responsável pela costela gorda do Partidão. Enquanto isto, neste crucial instante, ó cordiais torcedores brasileiros, uni-vos em preces e macumba pela substancial recuperação física do religioso craque paulista Kaká e do esplendor mental do boêmio Ronaldinho Gaúcho até a tão decantada estreia do selecionado de Mano Menezes no hipotético estádio do Corinthians.

Neste simbólico ínterim, ao implantar a bem-aventurada austeridade administrativa e logística impelida pela denúncia do Supremo Tribunal Federal, a aclamada presidenta Dilma Rousseff, de imediato levanta a placa de substituição, conquanto, ao invés de arrumar a defesa e o galinheiro, exonera-se a coadjuvante raposa. A atônita plateia observa que sai o ex-campeão baiano de bola de gude, Orlando Silva, e entra, sem aquecer com instruções de última hora, o genuíno patriota Aldo Rebelo, recordista mundial de caça-palavras. Enquanto isto ao Sudeste deste país dos Bruzundangas, ó patuscos cidadãos fluminenses, providenciai samba e cerveja pela confortável situação dos clubes cariocas no Campeonato Brasileiro de Futebol – título nacional e Libertadores à vista!... 

Em prol de um incômodo atraso no calendário das obras de infraestrutura esportiva, os manda-chuvas da Fifa ameaçam o país com cartão vermelho simbolizado pela perda de mando de campo e resolvem interferir na questão da legal meia-entrada de estudantes e também na proibida comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios da federação. Entretanto, neste ilusório instante, ó hospitaleiros torcedores tupiniquins, imaginai o gol do título e a posterior coreografia de Neymar, Daniel Alves, Alexandre Pato e Cia, numa reincidente final de torneio em pleno bicampeão de superfaturamento Pan-Americano 2007/ Copa do Mundo 2014, o louvável Maracanã, restaurado pela irrelevante bagatela de aproximadamente R$ 1.000.000.000. Diz que pelo andar da carruagem, o histórico santuário muito em breve deverá ser adquirido em leilão pelo enérgico e próspero empresário, o super-homem verde e amarelo Eike Batista.

Enfim, o marketing governamental vem a ser reforçado pela propagação dos avanços no plano-diretor metropolitano: revitalização do mercado de trabalho com carteira assinada, a construção de espaços multimídias, a privatização dos arcaicos aeroportos, a expansão do metrô paulista e carioca etc. Contudo, neste aplaudido ínterim, ó incauta nação de chuteiras, em notório e recorrente vício republicano, diante de mais um milionário projeto fraudulento usurpador do patrimônio nacional, erguei o tão sonhado troféu de campeão do mundo e, como os vitoriosos tempos de outrora, integrai-vos ao uníssono ufano-futebolístico grito de guerra, em coro e refrão: “Pra frente, Brasil!...”.    

* Wander Lourenço de Oliveira, doutor em letras, é professor da Universidade Estácio e autor dos livros ‘Com licença, senhoritas (A prostituição no romance brasileiro do século 19)’ e ‘O enigma Diadorim’. wanderlourenco