Prefeitura tenta reiniciar obras do BRT Transbrasil

O que era para ser um corredor expresso de ônibus, com 17 estações, ligando Deodoro ao Centro do Rio, não passa de um grande canteiro de obras abandonado ao longo da Avenida Brasil. Um primeiro trecho das obras do BRT (Bus Rapid Transit)Transbrasil,  - de Deodoro ao Caju – foi iniciado ainda em 2015 e consumiu 64,28% dos R$1,4 bilhão investidos. Apesar do valor já empregado, as obras estão paralisadas desde março. Não houve sequer licitação para o trecho que ligará o Caju ao Centro do Rio nem para a construção de três terminais rodoviários.   

Ao passar pela Avenida Brasil, constata-se que não há sequer um operário trabalhando, em meio aos engarrafamentos. O cenário é de total abandono e a sensação, de desperdício de dinheiro público. A impressão é confirmada pela Prefeitura do Rio. 

Segundo a atual gestão, os operários trabalharam até março deste ano, quando as obras do chamado lote 2 (Deodoro - Caju) foram paradas por conta do contingenciamento do governo federal. O Ministério das Cidades questionou, no fim do ano passado, a “funcionalidade” da obra, já que faltava um ponto importantíssimo: conectar o corredor viário do Caju ao Centro do Rio.

Secretário de Urbanismo,Infraestrutura e Habitação do governo Crivella na época do contingenciamento, o deputado federal Índio da Costa (PSD) diz que o grande problema foi que o ex-prefeito Eduardo Paes prometeu, durante sua gestão e, mesmo sem caixa, arcar com R$ 500 milhões para o trecho do projeto não contemplado pela primeira licitação. 

“Eduardo Paes contou uma mentira dizendo que faria a conexão do Caju ao Centro da cidade. Mentiu, inclusive, para o consórcio do BRT e para a Caixa Econômica Federal. Disse que faria uma licitação extra para a conclusão da obra. O BRT Transbrasil, como foi licitado, não liga nada a lugar nenhum. Quando chega no Caju, não tem conectividade”, detona.

Procurado, o ex-prefeito Eduardo Paes alegou, através de sua assessoria, que “deixou todo o financiamento para a conclusão do corredor expresso aprovado e liberado”. E que, “se as obras estão paradas, é por pura incompetência da atual gestão, que já tem mais de 18 meses”, disse. 

Sobre a licitação da obra contemplar apenas o trecho de Caju a Deodoro (Lote 2), em detrimento do intervalo que liga o Caju ao Centro do Rio (Lote 1), o ex-gestor não deu explicações. 

A saída para o impasse da falta de recursos enquanto a obra não tivesse funcionalidade veio com mudanças no projeto original. Todo o trecho entre Deodoro e Irajá será construído com asfalto e não com concreto, como estava previsto anteriormente. A mudança vai gerar economia, permitindo complementar a obra do Caju até o terminal Novo Rio. Não haveria, assim, alterações no orçamento inicial já licitado e o BRT chegaria ao Terminal Américo Fontenelle, atrás da Central do Brasil. 

Isso porque, o trajeto entre o Terminal Novo Rio e o Terminal Américo Fontenelle já foi realizado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), como exigência do legado olímpico. A companhia fez aproximadamente 4 km do BRT Transbrasil, assim como a calha especial na Via Expressa para receber os ônibus articulados. 

A expectativa da Prefeitura é de que os recursos bloqueados sejam liberados pelo Ministério das Cidades ainda este mês. Assim, as obras poderão ser reiniciadas.  

Terminais

Depois desta etapa, faltará a construção dos terminais de Deodoro, das Missões (que permitirá ligação da Avenida Brasil com a Baixada Fluminense) e das Margaridas (que interligará com a Via Dutra) para que o projeto seja concluído. O primeiro custará R$ 100 milhões, e já teve recursos liberados pelo BNDES. Os outros dois têm custo estimado em R$ 50 milhões cada um. O recurso já foi liberado pelo Ministério das Cidades, através do programa ‘Avançar Cidades’. As duas licitações estavam previstas para acontecer até o fim do primeiro semestre deste ano. Mas, até agora, nada saiu do papel.