Megaoperação das Forças Armadas na Zona Oeste resulta em apenas 15 prisões

Na maior operação do Comando Conjunto das Forças Armadas desde o início da intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, cerca de 5.370 homens — sendo 4.600 das Forças Armadas, 420 da Polícia Militar e 350 da Polícia Civil — fizeram um cerco, ontem, nas favelas Cidade de Deus, Gardênia Azul, Outeiro, Vila do Sapê, Parque Dois Irmãos e Morro da Helena, na Zona Oeste, onde removeram barricadas, desativaram um local utilizado para preparo de drogas,  prenderam 15 pessoas e apreenderam cinco menores, além de 60kg de maconha, uma granada e três pistolas. 

Os resultados ínfimos não espelham, contudo, a pretensão e o objetivo da ação, que é devolver os territórios dominados aos batalhões da polícia militar que patrulham a região. A ocupação deve permanecer por alguns dias, segundo o porta-voz do Comando Conjunto das Forças Armadas, o coronel do Exército Carlos Cinelli: 

“As tropas das Forças Armadas ainda vão permanecer mais um tempo nas comunidades e, em seguida, será reduzido um pouco o efetivo, mas vamos manter o patrulhamento ostensivo na área, porque essa é a finalidade dessa operação e estrategicamente vamos expandir as áreas de atuação ligadas aos batalhões da Polícia Militar”, explicou Cinelli, ao fazer um balanço parcial da ação na Cidade de Deus. Três pessoas, pelo menos, morreram   durante a operação. Um militar batedor do Exército faleceu ao atropelar um usuário de crack, na Avenida Brasil, quando fazia escolta do comboio das Forças Armadas. A vítima do atropelamento também morreu na hora. Um suspeito foi baleado e não resistiu aos ferimentos ao trocar tiros com militares na Cidade de Deus. 

No Complexo do Lins, onde a Polícia Militar atuava contra o roubo de carga e de carros, um capitão da PM foi ferido sem gravidade. Mais cedo, o interventor na segurança pública do Rio, general Walter Braga Netto, esteve na Avenida Edgar Werneck, principal acesso à Cidade de Deus, acompanhando o trabalho das forças de segurança. Cercado de forte aparato de segurança, o interventor cumprimentou militares que participavam da operação e, depois de alguns minutos, foi embora sem falar com os jornalistas.

Polícia Militar atua no Lins 

Na Zona Norte da cidade, a Polícia Militar montou barreiras nas favelas do Complexo do Lins, para combater o alto índice de roubo de cargas e de carros em uma área que se estende do Lins até a parte alta, na subida da Grajaú-Jacarepaguá. A PM se concentrou nas ruas Aquidabã, Lins de Vasconcelos e Cabuçu, principais acessos à comunidade, com a finalidade de bloquear possíveis rotas de fuga de criminosos. Por medida de segurança, a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá ficou fechada por mais de 5 horas, o que provocou engarrafamentos nos bairros da Taquara, da Freguesia e do Pechincha, em Jacarepaguá, com reflexos no acesso à Linha Amarela. (Com Agência Brasil)