"Saúde não é mercadoria": Manifestantes protestam contra manicômios

Dia Nacional da Luta Antimanicomial é relembrado todo dia 18 de maio

Manifestantes ocuparam a Rio Branco, no Centro do Rio, nesta sexta-feira (18) pelo Dia Nacional da Luta Antimanicomial. O movimento protesta contra os serviços de tratamento de saúde mental - a lógica do manicômio - e reúne técnicos e profissionais da área da saúde, além de familiares e pacientes. 

"Queremos ocupar a rua para mostrar para a sociedade que essa população precisa ser atendida em um serviço de qualidade, que entenda o ser humano em sua subjetividade e cidadania", explica Isabela do Nascimento, de 22 anos, estudante de psicologia. 

Isabela, que também trabalha em um CAPS, Centros de Atenção Psicossocial, no Engenho de Dentro, acrescenta que o protesto é também um recado direto para os governantes. 

"Pedimos investimento em serviços públicos de saúde, como o SUS, que tem sido abandonado pelos nossos governantes. Esse governo tem fortalecido sistemas privados", critica. 

A data, instaurada em 1987 no Brasil, ocorre através de um manifesto público a favor da extinção dos manicômios durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, na cidade de Bauru/SP. O lema "Por uma sociedade sem manicômios" inaugura uma nova trajetória da proposta de Reforma Psiquiátrica Brasileira.

No Rio, manifestantes percorreram a avenida no Centro por volta das 15h desta sexta, ao som de samba, funk, música popular, fantasias de palhaço, e cartazes, enquanto gritavam: "A nossa luta é todo dia, saúde não é mercadoria". 

A lógica manicomial, segundo o médico Alan Pedrosa, de 49 anos, é uma tentativa de "dessocialização dos pacientes", principalmente aqueles que não tem condições de não estar na rua. 

"Quanto mais estrutura de saúde, de integração, de empregos, de cotas para pessoas, mais estrutura a família e o paciente têm. Acreditamos que assim é menos provável a internação dessa pessoa", acrescenta o profissional que atualmente trabalha no Ministério Público do Trabalho, onde, um dos seus focos, é garantir a empregabilidade desses "pacientes" da saúde mental.