Licitações de publicidade no governo Paes seriam fraudadas, diz delator

De acordo com Renato Pereira, mesada de R$ 25 mil era paga a servidores

O marqueteiro Renato Pereira, que assinou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), sustenta que as licitações de publicidade da prefeitura do Rio nas duas gestões de Eduardo Paes (PMDB) foram fraudadas em favor da Prole, de acordo com informações que circulam na imprensa.

De acordo com Pereira, o delator alega que indicava as outras vencedoras da licitação, pagando mesada de R$ 25 mil aos dirigentes da prefeitura que cuidavam dos contratos: Marcela Muller e Fabiano Leal, ex-funcionários da Prole. A delação está em fase de homologação no STF.

De acordo com dados oficiais, entre 2010 e 2017 a agência de Pereira recebeu R$ 201,5 milhões da administração. O contrato ainda está em vigor. A Prole também faturava ao cobrar participação no ganho dos próprios fornecedores.

Segundo Pereira, produtoras eram orientadas a alugar equipamentos dos sócios da Prole ou destinavam percentual do lucro à empresa. A "Cidade Olímpica", plataforma online desenvolvida para divulgar o legado dos Jogos no Rio foi um dos projetos criados nesses moldes.

Na delação de Pereira, ele afirma que a primeira licitação fraudada ocorreu em 2009, sendo direcionada à Prole, à Binder FC, que ele afirma ser empresa sob influência de Carlos Augusto Montenegro, e à Nacional Comunicação, que o delator associa a Jorge Picciani, pelo fato de o dono ter feito campanhas para a família do político. Entre 2010 e 2015, a Binder faturou na prefeitura R$ 173,6 milhões e, a Nacional, R$ 104,3 milhões.