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Cavendish diz que pagou propina de 5% a Sergio Cabral em obras do Maracanã

Segundo empresário da Delta, ex-governador falou "claramente" sobre acerto de propina

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Réu na Operação Calicute e em prisão domiciliar, o empresário Fernando Cavendish, da construtora Delta, disse nesta segunda-feira (7), em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, que pagou propina de 5% ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) nas obras de remodelagem do Maracanã.

Segundo Cavendish, após pedir a Cabral, de quem era muito próximo segundo o próprio depoente, para participar da obra, que vinha sendo conduzida pela Odebrecht, o ex-governador disse "claramente que tinha acerto de 5% de pagamento de propina" sobre o valor. "Concordei e admito que isso aconteceu", afirmou o empresário.

Cavendish contou a Bretas que o dinheiro foi acertado com Carlos Miranda, operador de Cabral, e que o pagamento da propina para Cabral foi feito ao longo da obra, da qual a Delta se afastou "por conta da crise". Segundo Cavendish, o dinheiro pago não estava relacionado à campanha política, "até porque 2011 não é um ano de campanha", esclareceu o empresário.

A Delta, do empresário Fernando Cavendish, foi acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de faturar R$ 11 bilhões entre 2007 e 2012. O valor representa quase toda a receita da empreiteira nos anos correspondentes.

Segundo o MP, o contrato inicial para reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 era de R$ 705 milhões. Ao final, a obra custou aos cofres públicos mais de R$ 1,2 bilhão.

Cavendish também é réu na Lava Jato, acusado de participação em um esquema que desviou R$ 370 milhões de obras feitas pela Construtora Delta para 18 empresas fantasmas. As investigações apontaram que os valores eram sacados em dinheiro para impedir o rastreamento da propina entregue a agentes políticos.

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