Audiência pública debate legado olímpico na Câmara de Vereadores

Durante a audiência pública promovida pela Comissão de Esportes e Lazer da Câmara de Vereadores do Rio, na terça-feira (9), algumas das pendências apontadas durante as diligências promovidas pelos parlamentares já começam a ganhar novo panorama. O presidente da Federação de Canoagem, João Tomazini, anunciou a liberação, por parte do Governo Federal, da verba necessária para reabrir o circuito do esporte, em Deodoro. A subsecretária de Esportes do Rio, Patrícia Amorim, disse que a licitação que vai permitir a reabertura do espaço está sendo preparada. Outra novidade foi trazida pelo presidente da Federação de Ginástica do Rio, Bruno Chateaubriand, que obteve resposta positiva da disponibilização dos equipamentos oficiais do esporte guardados nas dependências da UFRJ.

A intenção dos vereadores Felipe Michel (PSDB), que preside a comissão, Ítalo Ciba (PT do B) e Professor Célio Luparelli (DEM), era buscar respostas e soluções para os problemas apontados no balanço promovido pela comissão após as quatro visitas às instalações olímpicas.

Patrícia Amorim confirmou que a Arena Carioca 3 está pronta para receber os cariocas. Há uma conversa adiantada sobre o uso do espaço para a instalação dos equipamentos citados por Chateaubriand. Atualmente, estão montadas no local, quadras de badminton e mesas de tênis. Ela falou sobre os estudos para levar também às Vilas Olímpicas os equipamentos de ginástica.

A ginasta Daniele Hypólito, que já participou de cinco Olimpíadas, deu seu depoimento a respeito do legado de outras sedes dos Jogos, e disse que espera que a equipe brasileira que vai às Olimpíadas de Tokio, em 2020, possa usar as atuais instalações do Rio para os seus treinamentos.

As dificuldades vividas pelos atletas paralímpicos foram lembradas pelo medalhista de prata no Judô dos jogos, Willians Araújo. Ele disse que o Rio de Janeiro passa por um total descaso com o esporte:

“O Rio de Janeiro está perdendo vários atletas, porque além da estrutura física, a estrutura financeira não está permitindo que a gente continue treinando aqui. Foi feito investimento por meio  do Time Rio, uma parceria da prefeitura com o Comitê Olímpico Brasileiro, que deu estrutura para treinarmos. Hoje, toda minha equipe multidisciplinar trabalha voluntariamente. Está difícil continuar treinando aqui.”

O diretor do Campo Olímpico de Golfe, Carlos Favoreto, apresentou um vídeo mostrando alunos de escolas públicas fazendo aulas do esporte no local. Ele disse que a atuação da Comissão os apressou a tirar do papel o projeto que é a contrapartida social que podem oferecer para a Cidade do Rio.

“Essa atitude tomada no Campo de Golfe só vem a confirmar a importância do nosso trabalho, que é investigar, cobrar que tudo aconteça. A população ganha com isso. Não vamos parar por aqui. É muito importante que todos falem a mesma língua: A comissão, a Prefeitura e o Ministério dos Esportes. Não foi feito nenhum planejamento para o período pós-jogos, e isso precisa ser revertido”, afirmou o vereador Felipe Michel.

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, falou a respeito da disponibilidade do clube em assumir o Complexo do Maracanã. Representantes da comunidade do entorno também estavam presentes, e mostraram sua preocupação com o abandono do Estádio de Atletismo Célio de Barros e do Estádio Aquático Júlio Delamare, que já foram palco de muitas competições internacionais.

Estavam também na audiência representantes do Comitê Olímpico Brasileiro e das federações de Vela, Tae Kon Do, Judô e Tênis, além do presidente do América, Léo Almada.