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Ex-secretário de Obras de Cabral confirma cobrança de "taxa de oxigênio" 

Hudson Braga também afirmou ter havido caixa 2 na campanha de Pezão

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Em depoimento prestado nesta terça-feira (2), o ex-secretário de Obras do governo Sérgio Cabral Hudson Braga confirmou o caixa 2 na campanha à reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), em 2014, e o pagamento de 1% de propina em obras, conhecida como "taxa de oxigênio". 

No depoimento prestado ao juiz Marcelo Bretas, Hudson acrescentou que ficou com R$ 3 milhões de "sobras de campanha" e guardou o dinheiro em um cofre da empresa Transexpert. Hudson Braga foi coordenador da campanha de Pezão e está preso com Complexo Penitenciário de Gericinó. 

De acordo com o depoimento, a Andrade Gutierrez teria pagado 1% de propina sobre o contrato da obra do PAC das Favelas em Manguinhos, Zona Norte do Rio. Hudson afirmou que a cobrança do suborno foi uma orientação de Wilson Carlos, então secretário de Governo de Sérgio Cabral.

Ainda segundo o depoimento, os recursos ilícitos eram direcionados para presidentes de empresas vinculadas à Secretaria de Obras, além de superintendentes, subsecretários e assessores especiais do governo. "Só preciso esclarecer que, conforme disse, sou um técnico, não fui eu que criei isso. Fui convocado no final de 2007, início de 2008, pelo secretário Wilson Carlos, que me relatou que existiam diversas queixas do valor do pagamento do salário que o estado remunerava e que ele tinha conversado com a Andrade para que contribuísse com 1% para que pudesse ser feito esse pagamento e melhorar o salário das pessoas envolvidas neste projeto. Isso aconteceu, ele me deu essa orientação, e eu organizei isso com o Wagner Garcia, que ficou responsável pelo recolhimento e pagamento das pessoas listadas", disse, citando um operador.

Magalhães Pinto

O ex- assessor de Sérgio Cabral, Paulo Fernando Magalhães Pinto, também foi ouvido nesta terça-feira pelo juiz Marcelo Brêtas. Ele é acusado de ser laranja do ex-governador do Rio no aluguel de um escritório e na compra de uma lancha. Ele confirmou que era locatário do imóvel e que ainda contratou três funcionários a pedido do ex-governador, que o ressarcia em seguida.

"Achava estranho, mas era um pedido [dele]. Quando renunciou como governador, perguntou se eu poderia alugar a sala para ele e se poderia estar lá com ele. Talvez ele não tivesse recursos para isso e eu o fiz. Depois era ressarcido por Cabral", disse o réu sobre o custeio do escritório, calculado em R$ 1 milhão. Pinto contou ainda que vendeu metade da lancha para Cabral e recebeu parte do valor em espécie. O embarcação é avaliada em mais de R$ 5 milhões.

"Acreditava no governo Cabral, que fez um bom governo. Achava até que ele deveria ser presidente da República. Ele pedia e eu ajudava. Acreditava em política como forma de transformação. Era um sonho meu trabalhar com política".