Cedae: servidores fazem protesto no Centro após aprovação da venda na Alerj

Categoria também iniciou nesta segunda-feira uma greve

Após a aprovação do projeto de lei 2.345/17, que autoriza o uso das ações da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) para viabilizar um empréstimo de R$ 3,5 bilhões da União, os servidores que estavam na porta da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) protestando contra a medida iniciaram uma passeata rumo à sede da Cedae, na Avenida Presidente Vargas. O ato, composto em sua maioria de funcionários da empresa, interditou a via na tarde desta segunda-feira (20). Por volta das 15h, o Batalhão de Choque da Polícia Militar dispersou os manifestantes, reabrindo a avenida.

Além disso, os servidores iniciaram uma greve contra a privatização. Inicialmente, a paralisação ia durar até quinta-feira, quando estava previsto o fim dos debates sobre a venda da Cedae. Como o projeto foi aprovado hoje mesmo, a categoria vai avaliar os rumos do movimento. “A votação que foi feita na Alerj não representa a vontade popular. E a vontade popular tem que ser soberana. Não é a vontade de 40 deputados que vai se sobrepor à vontade da população. Eles querem privatizar a Cedae por R$ 3,5 bilhões”, afirmou o agente de saneamento da Cedae Márcio Tayão.

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Na votação que decidiu pela privatização da Cedae, 41 deputados votaram a favor e 28 contra. Para a aprovação, era necessária a maioria simples dos 70 deputados. 69 deputados estavam presentes.

“O sentimento é de total indignação. Uma empresa que só traz lucro e benefício para o Rio de Janeiro, que tem financiamento cruzado, vendida para empresários? Na hora que a população começar a sentir na pele, quando começar a pagar mais de R$ 2 em um litro d’água igual você vê na rua, aí a população vai ver o valor que o Cedae tinha”, ressaltou o ajudante de saneamento Leonardo da Silva.

A agente de saneamento  Márcio Tayão também acredita que o governo do estado vai reprimir novas manifestações. “Não tem saída. Eles vão reprimir. Mas nós podemos lutar e vencer a repressão. Vamos fazer pressão política. Eles estão vendendo o estado do Rio de Janeiro. Isso é um erro gravíssimo. Eles vão sofrer as consequências desses atos. Quando o povo sofrer as consequências, eles vão para a rua também”, disse.

“Nós, do sistema sindical, controlamos a água. Nós controlamos o esgoto. Temos que nos unir e lutar também. Eles querem um inferno? Que vire um inferno no Rio de Janeiro”, disse o servidor Leonardo da Silva. Quando perguntado sobre a possibilidade de interrupção do fornecimento de água pelos funcionários da Cedae, Leonardo respondeu: “A base sindical vai decidir isso. Se necessário for, para defender toda a categoria do estado do Rio, e o sindicato da Cedae, iremos fazer com certeza”, concluiu.