ASSINE
search button

Rodrigo Neves busca reeleição após denúncias de relação com empreiteiras

Compartilhar

O candidato à reeleição em Niterói, Rodrigo Neves, avança nas pesquisas de intenção de voto. O político se desfiliou no PT em abril e entrou para o PV, em uma suposta tentativa de desvincular sua imagem do desgaste deste, em meio a casos de corrupção destacados pela grande imprensa. Ele próprio, contudo, tem seu nome estreitamente ligado a um dos principais nomes da Operação Lava Jato, Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, principal financiador de suas campanhas. 

A empreiteira de Ricardo Pessoa fez doações a Rodrigo Neves desde a campanha dele a vereador de Niterói, em 2004. Em 2004, quando foi reeleito vereador com a maior votação da cidade, a UTC só doou para outros dois políticos no Estado. Em 2012, as doações a Rodrigo Neves somaram R$ 1,3 milhão, enquanto os demais candidatos à prefeitura não receberam doação da empresa.

Pessoa chegou a receber, em dezembro de 2010, uma homenagem do prefeito Rodrigo Neves na Alerj, quando este era deputado estadual, com o título de cidadão do Rio de Janeiro.

Ligação telefônica entre Pessoa e Neves interceptada pela PF em fevereiro de 2015, referente a uma conversa de novembro do ano anterior, mostrou o empreiteiro chamando o prefeito de "meu chefe". Neves falava sobre a licitação de R$310 milhões do túnel Charitas-Cafubá, e queria marcar um almoço com Ricardo Pessoa, para conversar pessoalmente.  

"O financiamento da complementação da Transoceânica. Estou muito animado. Foi aprovado na Cofiex, Comissão de Financiamentos Externos. É o último passo antes da assinatura do contrato. Agora, meu amigo, eu precisava falar com você pessoalmente", dizia Neves.

Dois dias depois, Ricardo Pessoa foi preso na sétima fase da Operação Lava Jato, batizada de Juízo Final, por suspeita de presidir o "clube" das empreiteiras. 

A UTC, pela subsidiária Constran, integra o consórcio, com a Carioca Engenharia, que venceu a licitação para construir a TransOceânica, obra com orçamento previsto de R$ 391 milhões para ligar a Região Oceânica da cidade à Zona Sul, por meio de um túnel. Na assinatura do contrato da Transoceânica, Neves aparecia ao lado de Ricardo Pessoa. 

No mês seguinte, em março de 2015, reportagem do jornal O Globo apontava que os repasses da UTC a Rodrigo Neves somavam R$ 2,27 milhões desde 2002, incluindo as disputas para prefeito, vereador e deputado estadual -- 18,75% do montante de doações recebidas por ele até então.

No documento de delação premiada de Ricardo Pessoa, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o empresário dizia que "o dinheiro doado de forma pulverizada a diversos partidos e políticos tem o propósito de fazer com que as engrenagens andem, abrindo portas no Congresso, na Câmara e em todos os órgãos públicos e abrindo a possibilidade de discutir temas de interesse da UTC, como lei de licitações, desoneração de folha, terceirização, etc...; evitar convocação para CPI; afastar entraves e dificuldades e discutir temas relevantes para a empresa."

Neste ano, Rodrigo Neves apareceu também em documentos apreendidos na 23ª fase da Operação Lava-Jato, chamada “Acarajé”, relacionados a outra empreiteira, a Odebrecht. Na ocasião, foi informado que o repasse que seria da construtora não constou em sua prestação de contas de campanha, mas que não era possível afirmar se a doação foi legal ou caixa 2. De acordo com a planilha apreendida com Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, Rodrigo teria recebido R$ 500 mil para a campanha de 2012. 

Quando deixou o PT rumo ao PV, em busca da reeleição, Rodrigo Neves conseguiu ampliar sua base de apoio. Recebeu o apoio oficial do DEM, do PR e do Solidariedade, entre outros políticos que diziam sentir dificuldades de apoiar o prefeito se ele continuasse no PT.