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'Estamos com medo de continuar trabalhando aqui', afirma gerente de padaria saqueada no Humaitá

Estabelecimento foi invadido por cerca de 30 pessoas no último sábado

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A comerciante portuguesa Maria Adelaide da Cruz, de 66 anos, vive uma rotina de medo em seu caminho para o trabalho desde o último sábado (19). Gerente da Padaria Santo Antônio, no Humaitá, ela enfrentou momentos de terror por volta das 18h40 daquele dia, quando cerca de 30 pessoas invadiram o estabelecimento para levar o dinheiro que constava no caixa e assaltar clientes. “Eles também levaram biscoitos, coca-cola, essas coisas. E jogaram uma lata em cima de um freguês que fugiu aqui para dentro, mas não conseguiram acertar”, relata a senhora, que não quis ser fotografada e diz ter se sentido moralmente agredida pelos assaltantes.

De acordo com a Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro, o policiamento da região foi reforçado já no domingo (20), após relatos de furtos e assaltos em toda a zona sul carioca. Maria Adelaide, entretanto, conta que não percebeu qualquer diferença no período que se seguiu ao ocorrido. “Não se vê polícia aqui na rua, mesmo depois do arrastão. Não adianta o comandante ou o governador dizerem que tem polícia. Nós que trabalhamos aqui ou somos moradores sabemos que não tem”, indigna-se a gerente da padaria.

No Brasil há 47 anos, Maria Adelaide conta que nunca passou por uma situação como essa. Apenas no estabelecimento do Humaitá, a senhora já trabalha há 15 anos. E, de acordo com ela, a violência na região vem crescendo. “O policiamento aqui é muito precário. Não vejo polícia nem de carro e nem a pé no meu horário de trabalho, que é do meio dia às 21h30, quando fecho a casa. Eu saio daqui e pego o ônibus. Já vi pessoas serem assaltadas no ponto, mas não vi polícia”, relata.

O saque sofrido no fim de semana pode, inclusive, gerar prejuízos financeiros para a Padaria Santo Antônio, em função da perda de funcionários. Isso porque, de acordo com Maria Adelaide, eles estão com medo de ir trabalhar. “O rapaz que estava no caixa no sábado não comeu nada ontem, não estava bem. Todo mundo está apreensivo, com problemas até de saúde. Eles [os funcionários] estão com muito medo de continuar trabalhando aqui, já falaram comigo isso’, explica.

O dono do estabelecimento também deu permissão à Maria Adelaide para fechar a padaria sob qualquer sinal de tumulto no bairro. “Ontem de tarde uma senhora veio aqui e falou que estava tendo mais um arrastão na rua. Eu telefonei para o meu patrão e ele disse para, qualquer coisa, fechar a casa. A gente já não tem mais segurança e polícia que é bom não passa aqui”, lamenta a portuguesa.

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