Seminário no TRE-RJ debate a sub-representação da mulher na política

A sub-representação da mulher na política foi o tema do terceiro módulo do seminário "Cariocas na Política: Mulher, Democracia e Poder", realizado nesta segunda-feira (27), no plenário do TRE-RJ. A programação de hoje contou com a participação da subsecretária de Inclusão Produtiva da Secretaria Municipal de Assistência Social, Jurema Batista; da presidente estadual do PMDB Mulher, Kátia Lobo; da diretora de projetos especiais do Instituto Pereira Passos, Andréa Pulici; da antropóloga, socióloga e professora da Uerj Clara Maria de Oliveira Araújo; da deputada estadual Marta Rocha (PSD); e da vereadora Tânia Bastos (PRB) e presidente da Comissão Permanente de Defesa da Mulher da Câmara de Vereadores. 

Promovido pela Escola Judiciária Eleitoral (EJE) e pela Secretaria de Proteção às Mulheres da Prefeitura do Rio (SPM-Rio), o seminário consiste numa série de cinco encontros, visando à capacitação de mulheres líderes para o exercício da política e a ocupação de espaços de poder.

A palestra inicial foi ministrada pela diretora de projetos especiais do Instituto Pereira Passos, Andréa Pulici, que descreveu, em termos quantitativos, a baixa representatividade feminina em vários âmbitos dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal. "Nas assembleias e câmaras municipais, em geral a média é de 13% de mulheres. O Brasil está em 123º lugar no ranking mundial de participação feminina na política", disse. 

Durante o evento foram abordadas as causas dessa sub-representação da mulher na política e sugeridas soluções para o problema. Segundo a socióloga Clara Araújo, o modelo patriarcal da sociedade está ligado a fatores culturais e históricos que influenciam o cenário atual. "A mulher chegou tarde no processo político e herdou uma exclusão que se reproduz como norma no imaginário geral", disse. "Percebo em muitas mulheres que a atuação na política deve ainda passar por uma autorização do marido", disse a vereadora Tânia Bastos.

A subsecretária de Inclusão Produtiva da Secretaria Municipal de Assistência Social, Jurema Batista, destacou que a discriminação da mulher é ainda reforçada por questões econômicas e raciais. "Democracia racial é um mito. Parece que vivemos na época das capitanias hereditárias, onde o sobrenome de família tradicional ainda é o que conta", disse ela. "Não existe espaço vazio de poder. Se eles estão ocupados, cabe a nós mudar esse quadro", completou a deputada Marta Rocha. Ela ressaltou a importância de uma atuação da mulher que não fique restrita ao contexto eleitoral. "É preciso termos uma visão abrangente do processo. A ação política está intimamente ligada a uma ação firme e comprometida da mulher na esfera de vida particular", analisou. 

Para a socióloga Clara Araújo, o sistema eleitoral privilegia aqueles que já têm mandatos eletivos. "O horário eleitoral, por exemplo, que representa 60% da visibilidade de que o candidato dispõe, reforça a manutenção dos mesmos políticos no poder", avaliou.

A presidente estadual do PMDB Mulher, Kátia Lobo, citou a limitação da regra eleitoral que prevê a cota de mínima de 30% para cada sexo no momento das candidaturas. "Nunca alcançamos esse percentual em representatividade de fato, com mandatos legislativos. Muitas mulheres se iludem, acham que vão aparecer na TV e que serão apoiadas pelo partido", disse. Já a vereadora Tânia Bastos destacou que as políticas públicas de cotas devem estar aliadas a uma ação consciente da mulher no âmbito partidário. "Não podemos ser usadas como 'laranjas'. Quando um partido não alcança o percentual obrigatório, devemos forçá-lo a cortar os candidatos do sexo masculino e acabar com essa prática que usa a mulher para preencher formalidade", disse. 

Participaram ainda do evento o diretor da EJE, desembargador Wagner Cinelli, e a secretária de Proteção às Mulheres da Prefeitura do Rio (SPM-Rio), Ana Rocha.