O segundo Fórum Permanente de Debate Cabo Frio Mais, promovido pela Secretaria de Turismo da cidade do Norte Fluminense, aconteceu na manhã desta quarta-feira (8), no Centro de Convenção do Hotel Mandai, no bairro Braga, em Cabo Frio. O encontro reuniu cerca de 20 entidades representativas e autoridades policiais para discutir a questão da segurança na região. O tema foi uma demanda resultante do primeiro encontro realizado no mês de junho, que debateu as consequências da poluição sonora na cidade. A conclusão dos encontros - a previsão e de 12 debates em cinco meses - deve servir para a criação de um plano estratégico de desenvolvimento turístico, com investimento da iniciativa privada e aporte da gestão municipal.
Durante o fórum, o secretário de Ordem Publica, Renato Viana, adiantou que a prefeitura em breve vai anunciar o Plano Estratégico de Monitoramento, que vai atender a todos os bairros e pontos turístico, com a ajuda de equipamentos mais modernos de sinalização e câmeras. Além do secretário, integraram a mesa de debate o secretário de Turismo, Dirlei Pereira, o comandante do 25° BPM (Cabo Frio), tenente-coronel Rui França, o delegado Lauro Coelho, da 125a. DP (Cabo Frio) e o tenente-coronel Leonardo Couri, Comandante do 18º GBM do Corpo de Bombeiro.
A região norte fluminense do Rio de Janeiro é uma das mais afetadas com a crise provocada pelo repasse dos royalties do petróleo e a Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A arrecadação de Cabo Frio, com a queda no repasse, teve uma baixa de 50% do ano passado para 2015, com reflexo em todos os setores econômicos, especialmente o turismo.
"O turismo é a mola propulsora da economia da cidade, que há várias décadas não vivia uma crise tão avassaladora como agora. Precisamos identificar os pontos de mudança e implementação do setor, senão vamos nos transformar em um grande bolsão de miséria e violência", considerou o secretário de Turismo de Cabo Frio, Dirlei Pereira.
O fórum, na avaliação de Pereira, abre um espaço democrático para discussão de temas referentes ao município com as entidades responsáveis e com a comunidade, o que representa um fato histórico na gestão pública da cidade, e que deve reverter em soluções importantes para toda a região. O secretário destacou ainda que é preciso recuperar a atividade turística como meio de geração de renda e investimentos para a região, alavancando, desta forma, os outros setores econômicos.
Entidades das áreas do turismo, comércio, pesca, meio ambiente e a Câmara de Dirigente de Lojistas levaram para o encontro as suas demandas e sugestões de melhorias na cidade, envolvendo a questão da segurança pública. O professor Paulo Cotias, que integra a secretaria de governo para formulação de planos estratégicos, citou os pontos mais vulneráveis em Cabo Frio no momento: a rodoviária, Praça de São Cristóvão, Praça Porto Rocha, Boulevard Canal e a praça em frente ao Teatro Municipal. Segundo Cotias, desde o ano passado tem aumentado a "sensação de violência" na cidade, como registro de assaltos, roubos, maior uso de drogas e depredação do patrimônio publico.
O próximo encontro deve acontecer em 15 dias, com debates acerca dos dois primeiros temas e apresentação de conclusões dos eventos anteriores. Ainda serão abordadas as questões relacionadas com mobilidade urbana, turismo de negócios, turismo histórico e cultural, em futuros fóruns.
Panorama da Segurança Pública em Cabo Frio
No seu discurso, o tenente-coronel Rui França apresentou um breve panorama da segurança pública em Cabo Frio. Segundo ele, o maior problema de criminalidade na cidade diz respeito ao consumo de drogas. "Oitenta e sete por cento dos homicídios que acontecem na região tem a ver diretamente com o tráfico de drogas", afirma Franca.
O comandante afirmou que a sua tropa tem desenvolvido ações intensivas de patrulhamento, contando com o apoio da Guarda Municipal. Com esta parceria, foi possível diminuir o número de roubos a pedestres significativamente. No primeiro mês de patrulhamento compartilhado com a gestão municipal, foi zerado o registro deste tipo de crime na cidade. No entanto, agora o grande desafio para o seu comando e mudar a percepção de segurança da população, que deve se sentir protegida ao transitar em Cabo Frio.
"Estamos enviando em breve um oficio para o governador do Rio [Luiz Fernando Pezão] com estas conclusões da Polícia Militar e solicitando um maior efetivo de policiais para Cabo Frio, assim como investimentos em equipamentos de trabalho. Desta forma pretendemos mudar esta percepção da população e trazer maior segurança para todos", disse o secretário de Turismo, sem dar previsão de quando o documento deve chegar ao Palácio Guanabara.
Do cenário descrito por Franca, a cidade de Cabo Frio tem hoje uma crescente população vinda de outras áreas do Rio, que pode estar contribuindo com as incidências criminais citadas durante o fórum, como o tráfico de droga e prostituição nos pontos turísticos. O comandante destacou ainda problemas gerados pela população de rua na rodoviária - que é de competência de outras políticas públicas quando não há registro de delitos -, e os conflitos gerados com a guerra entre facções.
O 25° BPM tem atualmente um efetivo de 830 homens, 240 deles atuando em Cabo Frio, com uma população de 180 mil habitantes. Para o comandante do batalhão, este número de agentes e suficiente para atender a população, no entanto, considera que há necessidade de mais policiais nas ruas para mudar a sensação de insegurança da população. Franca descarta a possibilidade da criminalidade na região ter relação com a criação das Unidades de Policia Pacificadora (UPP) no Rio, já que as estatísticas revelam que 90% das prisões efetuadas na sua área de atuação são de pessoas residentes na própria região.
Franca ainda forneceu números que comprovam a diminuição da criminalidade na sua área de comando. "Estamos conseguindo reduções bem significativas, comparadas com o ano de 2014. Diminuímos em mais de 20% o numero de homicídios, mais de 30% o roubo de veículos, mais de 15% o roubo de rua", contabiliza o militar, acrescentando que o seu batalhão é um dos que mais apreende arma e efetua prisões no estado.