Prazo da análise técnica do campo de golfe olímpico acaba na semana que vem

Prazo de suspensão do processo durou um mês e contou com a análise técnica do MP e da prefeitura

A uma semana de encerrar o prazo de suspensão do processo contra a prefeitura pela construção do Campo de Golfe Olímpico, as obras na região da Barra seguem a todo vapor. O sistema de irrigação, responsável por manter o gramado do campo foi instalado neste final de semana e mantém a grama verde em um solo arenoso, mais difícil de manter.

O processo foi suspenso no dia 9 de outubro, a pedido da prefeitura e da Fiori empreendimentos, numa tentativa de abertura de diálogo com o Ministério Público do Rio (MP). Em nota, o MP afirmou que o objetivo seria a complementação dos estudos ambientais, como forma de embasar melhor o processo. Técnicos do Ministério Público e da prefeitura foram chamados para analisar o Campo de Golfe.

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David Zee, biólogo da Uerj e integrante do Conselho Municipal de Meio Ambiente, chama a atenção para a grande quantidade de água sendo utilizada para regar o Campo de Golfe, principalmente durante o período de estiagem que a região sudeste do país tem passado. "O problema é que é uma área muito ampla e agora com o verão, a incidência de raios solares é alta, então para manter o gramado será necessário uma grande quantidade de água", explica.

O primeiro evento teste do Campo de Golfe Olímpico está marcado para setembro de 2015, a despeito das questões envolvendo o redesenho do local, além de outros problemas que envolvem a posse do terreno. Em um evento que contou com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos,no mês passado, quando uma pergunta sobre as questões judiciais envolvendo o Campo de Golfe surgiram os representantes de ambas as instituições se esquivaram.

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O movimento "Golfe pra quem?" acredita que a aceitação da modificação do projeto por parte da prefeitura tem menos a ver com aspectos técnicos e mais a ver com aspectos econômicos. Segundo eles “Como é de conhecimento público, a empresa Fiori, que pertence aos filhos do Pasquale Mauro, tem uma parceria com a construtora Cyrela para construção dos prédios. Em função do Decreto 36.795/2013, a concessão do habite-se dos apartamentos a serem construídos no local estão condicionados à construção do campo de golfe de acordo com o projeto definido com COI. Ou seja, se o projeto do Campo fosse mudado, a Prefeitura não teria como dar o habite-se dos apartamentos”.

De acordo com o MP, uma réplica, com o resultado da nova avaliação dos técnicos, será apresentada no dia 19, fim do prazo do recesso do processo entre a prefeitura, a Fiori empreendimentos e o Ministério Público.