A Fundação Heinrich Böll e o Laboratório de Análises da Violência (LAV) realizam nesta terça-feira (14) o evento "Os Donos do Morro: Debate sobre o Futuro das UPPs", às 18h, na Uerj, com a participação do professor Ignacio Cano, do atual comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora, coronel Frederico Caldas, e do ex-comandante coronel Robson Rodrigues, da pesquisadora da Justiça Global Juliana Farias e da líder comunitária Cintia Luna.
Baseados na pesquisa "Os donos do morro: uma avaliação exploratória do impacto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro", realizada em 2012 pelos pesquisadores Ignacio Cano, Doriam Borges e Eduardo Ribeiro, do Laboratório de Análises da Violência (LAV) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que acaba de ser publicada, os participantes buscam debater e analisar os desafios colocados para a área de segurança pública e o futuro das UPPs.
Lançada em 2009 pelo governo do Rio de Janeiro, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) tinham o objetivo de retomar o controle do território e evitar confrontos armados, através da permanência de policiais dentro das comunidades. Segundo os pesquisadores, após a implantação, houve uma diminuição de 75% no número de homicídios e 50% de roubos. Entretanto, notou-se um aumento considerável nos crimes não letais contra a pessoa e ao patrimônio, o que pode ter relação com a sensação de segurança, que leva a denúncias das vitimas, bem como a ausência do "dono do morro" e suas punições severas, como sinalizam os autores.
Em 2014, elas aparecem mergulhadas em uma crise com o aumento aparente de vítimas de violência armada, tanto civis quanto policiais, e a queda da credibilidade do projeto, inclusive nas próprias comunidades beneficiadas, como fica evidente nos casos do pedreiro Amarildo e do dançarino DG.
Embora o projeto tenha atingido um sucesso claro nos seus objetivos principais, sua limitação geográfica devido ao alto custo de implantação e a seletividade, que deixou em segundo plano justamente as áreas mais violentas da Região Metropolitana, que são a Baixada Fluminense e as Zonas Oeste e Norte do município do Rio, contribuem para levantar dúvidas quanto a sua continuidade em longo prazo.
Segundo o estudo, a polícia também exerce papel fundamental, pois "a baixa legitimidade interna do projeto, desenvolvido por policiais que na verdade prefeririam estar trabalhando em batalhões convencionais para levar a cabo o 'verdadeiro policiamento', é tanto um sintoma do problema quanto uma causa do seu limitado avanço".
O objetivo do debate é promover uma discussão, baseada nos dados e análises da pesquisa, sobre quais caminhos podem ser tomados para que o sucesso inicial do projeto, tanto na própria comunidade quanto em seu entorno, não sejam perdidos. Percebe-se uma grande oportunidade para reformar as políticas de segurança pública e discutir o papel da polícia como importante agente transformador. "Só parando definitivamente essa maldita 'guerra' é que será possível sonhar um dia com um cenário em que os morros não tenham dono algum, para além dos seus próprios moradores", acreditam os autores.
Os donos do morro: debate sobre o futuro das UPPs
Dia 14 de outubro - 18h às 20h30
Uerj - R. São Francisco Xavier, 524 - Maracanã - Rio de Janeiro
Auditório 93, 9º andar, bloco F