Um dia após implosão de viaduto, centro do Rio é cenário de destruição

Um dia após a implosão de parte do Elevado da Perimetral, em que um total de 1,2 toneladas de dinamite colocaram abaixo 1.050 metros do viaduto, o Terra foi até o local acompanhar o trabalho de limpeza. O trecho demolido fica entre a avenida Professor Pereira Reis e a rua Silvino Montenegro. Ainda não há prazo para o começo da demolição do resto da via, que tem um comprimento total de 4.790 metros.

Entre os escombros, que foram embalados por uma tela branca para evitar que estilhaços se espalhassem, surpreende a luz que chega ao local pela primeira vez desde que o viaduto foi construído da década de 1950. A região, tomada de armazéns e vizinha ao cais, foi sendo abandonada aos poucos depois da sua inauguração.

Wellington David, 56 anos, passou 22 deles colocando abaixo obras por todo o País. Ele diz que essa é a maior implosão de que já participou. "Já vi muita coisa, mas nunca um viaduto sendo demolido. É o primeiro da América Latina."

O Elevado da Perimetral foi construído na década de 1950 como forma de desafogar o trânsito crescente de quem vinha da avenida Brasil para chegar ao centro e à zona sul do Rio de Janeiro, e a sua demolição causou polêmica. Segundo a prefeitura, a retirada do viaduto é um marco para a cidade e deve impulsionar a revitalização da zona portuária.

A operação de demolição deste trecho do viaduto envolveu 29 vãos e 232 vigas, que totalizaram cerca de 5 mil toneladas de concreto. Foram utilizados 2.512 pneus e 2.240 estacas em tambores para amortecer o impacto da demolição no solo.

Os operários na obra se esforçavam para abrir a rede e quebrar os escombros. Como os pneus amorteceram a queda, o concreto quebrou menos do que o esperado. A prefeitura estima que o trabalho de limpeza na região termine em dois meses e promete reciclar e reutilizar o concreto fruto da implosão em obras nas ruas da região; as vigas foram leiloadas na última quinta-feira.

O trecho do Elevado da Perimetral demolido neste domingo ficou interditado desde o último dia 2 de novembro. A avenida Rodrigues Alves, vital no trânsito da região, também esteve fechada ao trânsito por uma semana.

Por enquanto, a Via Binário, mesmo com lentidão, está dando vazão ao fluxo de veículos. Até 2015, a circulação de carros na zona portuária sofrerá com lentidão enquanto todas as intervenções não ficam prontas.