Via Binário será aberta ao tráfego ainda em outubro

Todas as ruas de superfície da via serão liberadas para circulação

A primeira grande via incluída no projeto de revitalização da Região Portuária do Rio será liberada para circulação de veículos neste mês de outubro. Após dois anos de obras e atraso na inauguração, prevista inicialmente para o fim de setembro, a Via Binário do Porto é paralela à Avenida Rodrigues Alves e contará, por enquanto, apenas com a liberação das suas ruas de superfície, já que o Túnel Oscar Niemeyer inclui trecho subterrâneo e só ficará pronto em junho de 2014.

De acordo com a Prefeitura, a demolição da Perimetral, prevista para iniciar ainda este ano, depende diretamente da abertura da Via Binário, que será o trajeto alternativo ao Elevado. O sistema da via inclui, além do Túnel Oscar Niemeyer partindo da Rua Primeiro de Março em direção à Rodoviária, o Túnel da Saúde, com 80 metros de extensão, três pistas em cada sentido e uma galeria para passagem do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

Melhorias no trânsito e novas alternativas de locomoção

De acordo com informações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), o novo trecho terá 3,5 km de extensão e três faixas por sentido, além de saídas para a distribuição interna do trânsito. O sistema é parte do projeto Porto Maravilha que, além da abertura da Via Binário do Porto, também transformará a Avenida Rodrigues Alves em uma Via Expressa.  

Segundo o Estudo de Tráfego da obra, nas duas vias devem trafegar 10.500 veículos por hora, no lugar dos 7.600 veículos que trafegam por hora em horário de pico no atual modelo, aumentando a capacidade em 38%. Pela Perimetral passam 4 mil veículos por hora atualmente, enquanto a nova Via Expressa terá capacidade para 6 mil, com cinco quilômetros de extensão.

Haverá uma ampliação do número maior de faixas de rolamento, que subirá das oito atuais para 12 até 2016, aumentando a capacidade de trânsito no trecho. Além disso, ruas que eram inutilizadas, como a Via Trilhos, foram abertas pelo projeto, o que contribui para a ampliação do fluxo e acesso. O projeto ainda prevê a instalação de ciclovias e do VLT, novas alternativas de tráfego.

As obras prometem transformar não apenas a mobilidade urbana, mas também a relação da população carioca com o local. Considerada apenas trecho de passagem, principalmente de veículos, a Região Portuária do Rio passará a ser atrativa também para pedestres. Ao substituir o trecho da Avenida Rodrigues Alves entre o Armazém 6 e a Praça Mauá por túnel subterrâneo, o espaço passa a ser destinado ao passeio público e à área de convivência. As paisagens escondidas do local, há muito esquecidas, voltam a fazer parte do cenário da cidade.

O Morro da Saúde, abrigo da Igreja da Nossa Senhora da Saúde, erguida em 1742, voltará a ser avistado de perto, além da Cidade do Samba e da Praça da Harmonia, que devem ter um aumento nas suas visitações.

Desaparecimento de vigas removidas da Perimetral

Nesta terça-feira (8), foi constatado o desaparecimento de seis vigas de 40 metros de comprimento, 60 centímetros de largura e 20 toneladas, que foram retiradas da Perimetral como parte do processo de demolição do Elevado. As vigas estavam em um depósito da Prefeitura e seriam vendidas em leilão ou utilizadas em obras municipais. Juntas, as vigas valem cerca de R$ 14 milhões, segundo avaliação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ).

O prefeito Eduardo Paes classificou o desaparecimento das vigas como "inacreditável". De acordo com ele, a Concessionária Porto Novo, que tem a concessão da área, terá que ressarcir a prefeitura caso as vigas não apareçam. "Eles tinham a obrigação de tirar e guardar para a prefeitura. Isso é um absurdo, mas ninguém vai imaginar também que alguém ia roubar vigas com não sei quantas toneladas. O concessionário vai ter que pagar por isso".

Em nota oficial, a Cdurp informa que determinou à Concessionária Porto Novo, responsável pela guarda do material, que desse início imediato à apuração dos fatos a fim de recuperar as peças e punir os responsáveis. Procurada pelo Jornal do Brasil, a assessoria da Concessionária Porto Novo não retornou o contato.