PM nega acusação de forjar flagrante e abre sindicância sobre vídeo

Após a divulgação de um vídeo que mostraria um flagrante policial sendo forjado contra um manifestante, a Polícia Militar do Rio de Janeiro divulgou nota rechaçando a acusação e alegando que o adolescente teria sido abordado por "conduta atípica". Mais tarde, a corporação afirmou que abriu sindicância para analisar as imagens e que as cenas da abordagem serão objeto de análise. O vídeo foi divulgado pelo jornal O Globo.

As imagens mostram um policial alegando ter encontrado um morteiro, que já estava em sua mão cenas antes, na mochila de um jovem, durante protesto ocorrido no dia 30 de setembro. Segundo primeira nota divulgada pela Polícia Militar, na tarde desta quarta-feira, não foi "imputada" ao adolescente "nenhuma posse de morteiro ou similar", e "não houve flagrante", mas sim um registro de "conduta atípica".

"Minutos antes de sua detenção, o menor foi visto em correria junto com outros manifestantes mascarados. A autoridade policial o deteve apenas para averiguação. Ele foi liberado na delegacia na presença de uma responsável", diz a nota. Porém, o vídeo mostrava o manifestante sendo detido enquanto caminhava, próximo ao local da manifestação dos professores do Rio de Janeiro, e não o mostra de máscara. Ele é algemado e levado por policiais, enquanto seus amigos gritam "cadê o morteiro?".

Mais tarde, o comando da PM substituiu em seu site a nota sobre o caso, passando a afirmar que "abriu sindicância para analisar as imagens em que um policial supostamente teria forjado flagrante". "Apesar da acusação de haver flagrante forjado, na delegacia não houve nenhum registro de posse de fogos de artifício em face do menor (...) O documento de apreensão dos fogos registra apenas que os mesmos foram encontrados no chão."

"O procedimento 005-10087/2013 da 5ª DP (Mem de Sá) registra o encontro de três (3) morteiros na calçada. Não atribui sua posse a nenhum manifestante. Vale lembrar que na noite seguinte, de terça-feira (01/10) foram depredadas 23 agências bancárias, e duas lojas de telefones celulares (ambas com furto de material)."