Em dia de tumultos, Câmara aprova plano de cargos e salários do magistério do RJ

Em dia de muito tumulto, confrontos, depredações e vandalismo, a Câmara de Vereadores do Rio aprovou o plano de cargos e salários dos professores da rede municipal. Foram 36 votos a favor e apenas 3 contra. A comissão de Constituição e Justiça tem cinco dias para fazer a redação final e encaminhar para a sanção do prefeito Eduardo Paes, que tem 15 dias para sancionar.

Nove vereadores de oposição, que saíram da sessão no plenário quando começou um tumulto do lado de fora da Câmara, não votaram. São eles: Renato Cinco (PSOL), Eliomar Coelho (PSOL), Verônica Costa (PR), Jefferson Moura (PSOL), Brizola Neto (PDT), Paulo Pinheiro (PSOL), Reimont (PT), Marcio Garcia (PR) e Teresa Bergher (PSDB). 

Os vereadores de oposição disseram que vão à Justiça pedir a anulação da votação, alegando que, pelo regimento da casa, a sessão foi secreta porque não havia presença da população no plenário, cujo acesso foi bloqueado por segurança. A informação foi de Teresa Bergher (PSDB) e Jefferson Moura (PSOL). Do lado de fora, muitas bombas seguiam estourando.

Indignado, o vereador de oposição Brizola Neto (PDT) chegou a subir na mesa para impedir a votação em segunda discussão. Ele tentou sentar na cadeira do presidente da casa, Jorge Felippe. Seguranças tentaram retirá-lo, e a sessão foi interrompida. 

Mais um dia de caos e violência nas ruas do Centro do Rio

A manifestação dos professores em frente à Câmara do Rio, durante a votação do plano de Cargos e Salários dos profissionais da rede municipal, acabou com novo confronto entre educadores, black blocs e Polícia Militar no Centro da cidade. Um grupo de black blocs infiltrado no protesto começou a confusão na porta da Câmara, no momento em que os professores cantavam e gritavam palavras de ordem para os vereadores que participavam da votação. Os "mascarados" forçaram a porta da casa e tentaram quebrar as janelas arremessando pedras e pedaços de madeira. O Choque reagiu com bombas de efeito moral, gás lacrimogênio, spray de pimenta e balas de borracha. 

Houve uma grande correria na Cinelândia e os professores tentaram se refugiar em ruas do Centro, enquanto a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE), Marta Morais, pedia calma e também para os black blocs se retirarem do ato da categoria, que era pacífico até o momento, apesar do clima de tensão. Vinte pessoas foram detidas pelos policiais, sob alegação de arruaça, agressões à PM e depredação do patrimônio público e privado. Todos os presos são integrantes do grupo black blocs.

No plenário, o vereador Brizola Neto pediu para suspender a sessão por medida de segurança, após ouvir os barulhos de bombas de efeito moral do lado de fora da Câmara. O confronto começou na rua que fica ao lado da casa, a Alcindo Guanabara, e os professores foram dispersados com bombas de efeito moral jogadas pelo Choque. A tropa avançou para as escadarias da Câmara e retirou os professores que estavam protestando no local, novas bombas foram jogadas na direção dos educadores. O grupo de black bloc iniciou uma correria na Cinelândia, arremessando pedras e objetos na direção dos policiais militares e da imprensa. A PM ocupou as ruas próximas à Câmara dispersando os grupos que fugiram da área de conflito. 

O Metrô fechou todos os acessos da Estação Cinelândia causa da confusão, e na Estação Carioca só o acesso Rio Branco ficou aberto. O trio elétrico dos professores foi atingido por bombas de efeito moral e gás da PM, sendo obrigado a sair do local de manifestação. A equipe do SEPE que estava no trio passou mal e algumas pessoas tiveram que ser atendidas por socorristas. O Centro de Operações Rio registrou a interdição de várias ruas do Centro, que ficaram tomadas por protestantes. Os manifestantes mascarados continuaram o confronto com a PM no entorno da Cinelândia, promovendo atos de vandalismo e depredando vários patrimônios da cidade. 

Cerca de 60 carros do Batalhão de Choque e mais de 700 policiais cercaram a Câmara e houve vários confrontos enquanto a votação seguia no plenário. O vendedor ambulante Henrique José, de 38 anos, estava passando pela Avenida Rio Branco na hora do tumulto e foi atingido por um tiro de bala de borracha. "O policial olhou para mim e atirou à queima roupa. Poxa, ele viu que não era manifestante e nem estou mascarado", reclamou a vítima.


Prefeitura divulga nota sobre aprovação do plano

A Prefeitura do Rio divulgou nota oficial sobre a aprovação do plano de cargos e salários do magistério. Confira a nota:

"O Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR) aprovado nesta terça-feira (01/10) pela Câmara de Vereadores do Rio é uma vitória para os servidores da Secretaria Municipal de Educação e um passo definitivo para consolidar o ensino público do Rio de Janeiro como o melhor do Brasil. O Plano garante, de imediato, um reajuste salarial de 15,3% para todos os profissionais da Educação e corrige injustiças históricas, com ações como a equiparação entre professores de nível I e II, igualando o valor da hora aula.

A Prefeitura do Rio esclarece que desde o início da greve, em agosto, reuniu-se com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ) dez vezes, três com a presença do  prefeito Eduardo Paes, e cumpriu e vem cumprindo com todos os pontos acordados com a categoria. O primeiro item do primeiro acordo exigia o envio do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) para a Câmara em 30 dias, o que ocorreu no dia 17 de setembro. 

Vereadores da base aliada e da oposição apresentaram 31 emendas ao texto original, já aprovadas pelo prefeito, o que representa um impacto de R$3 bilhões para o governo municipal nos próximos cinco anos. A prefeitura reitera, mais uma vez, o seu apelo para que os professores que aderiram à greve retornem às aulas o mais breve possível, de forma  que os alunos da rede municipal não sejam ainda mais prejudicados".