Clima tenso na Câmara para a votação do plano de carreira dos professores

A terça-feira (1) começou com clima tenso nas mediações da Câmara Municipal do Rio, no Centro. Os educadores continuam acampados na lateral da Câmara Municipal, aguardando a votação do Plano de Cargos e Salários da categoria da rede municipal enviado pela Prefeitura do Rio, que deve acontecer na tarde de hoje. Eles querem mudanças no plano, que não atende às reivindicações da classe.

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Mais de 20 carros do Choque estão estacionados perto da Câmara e as ruas do Centro tiveram reforço no policiamento desde a noite desta segunda (30/9), quando os black blocs se infiltraram no protesto dos professores, causando um tumulto que terminou com 20 pessoas feridas.

Um carro de som contratado pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) para a assembleia da categoria marcada para esta terça-feira, às 12h, na Cinelândia, foi impedido de chegar ao local pela Polícia Militar. A informação é da coordenadora do Sepe, Gesa Linhares. Segundo ela, o carro seguia da sede da empresa contratada, em São Cristóvão, e quando estava nas proximidades de Cinelândia foi parado pela PM e revistado. 

"Quando o motorista disse que estava indo para a manifestação dos professores, foi impedido pelos policiais de seguir viagem. Eles mandaram ele retornar", contou Gesa.

Segundo Geisa Linhares, os policiais do Choque chegaram na Câmara por volta das 3h desta terça e cercaram todo o entorno da Casa com grades com mais de dois metros de altura. Por volta das 11h, quase mil pessoas se concentravam na Cinelândia, próximo ao acampamento montado pelos professores e que está isolado pela PM. 

"Eles impediram o nosso carro de som chegar até aqui, mas isso não vai impedir o nosso ato, vamos fazer com os megafones e a população repetindo as nossas palavras. Vai ser um coro lindo. Se ontem tivemos a participação de mais de seis mil pessoas, hoje vamos ter mais", contou Gesa. A coordenadora do Sepe disse também que os vereadores que estão apoiando a classe vão tentar uma autorização para a comissão de professores acompanhar a votação no plenário. "Nós ficamos sabendo, por uma fonte da Câmara, que a presidência da Casa não vai deixar a gente entrar para assistir a votação", afirmou Geisa.

Os professores da rede municipal ganham entre R$ 1.500 e R$ 3.500, de acordo com a carga horária. Os educadores querem reajuste de 19%, enquanto que a prefeitura acena com 8%. Os professores argumentam que aceitariam a proposta de aumento, mas não da forma como está proposta no plano de cargos e salários elaborado pela prefeitura. De acordo com representantes do Sepe, entre as discordâncias está o fato de ele equiparar a remuneração dos professores, independentemente das suas especializações. 

 O esquema de segurança da Polícia Militar interditou várias vias do Centro da cidade. Foram fechadas ao tráfego as ruas Evaristo da Veiga, Senador Dantas, Álvaro Alvim e Alcindo Guanabara. O Centro de Operações Rio informa que não há previsão de reabertura dessas vias. A greve dos professores da rede municipal de ensino completa nesta terça (1) o seu 46° dia.