Rocinha protesta pelo desaparecimento de Amarildo 

Manifestação reúne parentes, amigos, políticos e artistas

O Dia dos Pais para a família de Amarildo de Souza não teve comemoração, nem presente nem nada que as outras famílias da cidade normalmente fazem nessa época do ano. O sumiço do ajudante de pedreiro transformou a alegria dessa data em triteza e revolta. Pela manhã, parentes, artistas e políticos se reuniram no acesso à Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, onde ele morava, para uma manifestação cobrando das autoridades a verdade sobre ocaso.

O ato contou também com a presença de políticos, como o  presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Marcelo Freixo, e também com parentes da juíza Patrícia Acioli, assassinada na porta de sua casa em 2011, além de membros da Anistia Internacional.

Anderson Gomes da Silva, um dos filhos do ajudante de pedreiro, disse que nunca havia passado um Dia dos Pais tão triste. Segundo ele, enquanto estiver vivo vai lutar para esclarecer a morte do pai. “Minha irmã de 6 anos pergunta por ele, e eu digo o quê? O que eu explico para ela?”, disse ele.

“Isso que estão falando é uma calúnia. Eles estão tentando inverter as coisas. Aquela casa é de família. Torturar dentro da casa da Bete é uma mentira", desabafou Willians Robert primo de Amarildo que estava presente à manifestação.

Durante o ato, o comandante das UPPs, Frederico Caldas, disse que o caso do sumiço de Amarildo coloca em risco o programa de pacificação das comunidades do Rio de Janeiro. Segundo ele, é necessário esclarecer e dar toda transparência às investigações. Caldas afirmou ainda que espera não ter havido a participação de policiais envolvidos no desaparecimento de Amarildo. “Caso isso tenha ocorrido, a polícia militar será muito rigorosa" disse ele.