MP vai investigar conduta de PM que prendeu manifestante no Rio

Depois de promover o arquivamento do inquérito decorrente da prisão em flagrante do jovem Bruno Ferreira Teles, detido por suspeita de arremessar um coquetel molotov em PMs durante protesto no dia 22 de julho, no Palácio Guanabara, o Ministério Público do Rio de Janeiro pretende investigar a conduta do policial que prendeu o manifestante.

O pedido de arquivamento foi feito pela promotora Janaína Vaz Candela Pagan na segunda-feira, e acatado no mesmo dia pela juíza Ana Luiza Coimbra Mayon Nogueira, da 21ª Vara Criminal. Para a promotora, a palavra isolada do PM que apontou Bruno como responsável pelo ataque "não configura indício suficiente de autoria a justificar a deflagração da instância penal, em não havendo outras provas".

Ainda segundo a promotora, na perícia realizada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP, as imagens da manifestação mostram que Bruno não estava posicionado no local de onde os artefatos foram arremessados.

Em depoimento na delegacia, o PM Diego Luciano de Almeida disse que viu Bruno Teles recebendo da mão de outra pessoa um explosivo e arremessando-o na direção dos policiais - dois deles sofreram queimaduras. Depois disso, ele participou da perseguição e prisão do manifestante, que foi imobilizado com o uso de um tazer.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.