Após confronto entre PM e manifestantes, moradores do Leblon rejeitam Cabral

Abaixo-assinado pede que governador se mude do bairro

Após enfrentar a revolta dos manifestantes na rua onde mora, o governador Sérgio Cabral convive agora com a rejeição dos próprios vizinhos, incomodados com os constantes protestos que vêm acabando com a paz no até então pacato bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio.

Moradores das ruas próximas à do governador organizaram um abaixo-assinado pedindo que Sérgio Cabral se mude do bairro. E tudo indica que os protestos desta quinta-feira vão intensificar ainda mais a mobilização: o documento foi elaborado e distribuído na quarta-feira (3), antes do último confronto que resultou em disparos de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo que transformaram o bairro mais caro do Rio numa praça de guerra. 

O texto pedindo a saída de Cabral foi distribuído a moradores dos prédios da Rua Aristides Espínola, onde o governador mora, e de prédios dos quarteirões próximos. 

Reclamação de vizinhos

Nesta quinta-feira, vizinhos de Cabral já classificavam a ação da polícia contra os manifestantes de "irresponsável e desordenada". 

"Foi um horror. Os policiais usam esse gás lacrimogêneo em qualquer situação", afirmou o engenheiro Pedro Luiz, que mora a duas quadras do prédio de Cabral.

Pedro Luiz reclamou do uso da força pelos policiais. "Não existe critério para o uso dessa substância que é extremamente perigosa. Isso sem contar a total falta de organização da operação, sem nenhuma estratégia", disse o morador.

O analista de sistema Juan Perez disse que estava na varanda do seu apartamento quando um cheiro forte de gás rapidamente invadiu sua residência. "Minha esposa começou a passar muito mal. O odor é muito desagradável. Esse tipo de coisa deveria ser proibida. Eu não vi quem começou a bagunça, mas esse tipo de conduta dos policiais prejudica moradores e pedestres."

De acordo com a nota do governo, a polícia só agiu depois de ter sido atacada pelos manifestantes. "Por volta das 23h40, a tropa da PM foi atacada a pedradas pelo grupo que usava máscaras e tentou romper o cordão de isolamento. Após serem atacados, os policiais usaram spray de pimenta e bombas de efeito moral pra dispersar o grupo. Três promotores de Justiça Estadual acompanharam e consideraram legítima a ação da PM", diz a nota.

A Polícia Militar informou nesta sexta-feira que três PMs ficaram feridos e seis pessoas foram presas durante a manifestação. Segundo nota oficial da PM, cerca de 200 agentes dos batalhões da capital fizeram a segurança da manifestação, isolando a área, e permaneceram parados em linha durante toda o protesto.

Ainda de acordo com a PM, em nenhum momento houve qualquer tentativa de impedir o direito de se manifestar, mesmo diante de provocações e ofensas. O policiamento em torno do prédio onde mora Sérgio Cabral foi reforçado nesta sexta-feira (5).

Os manifestantes protestam contra a corrupção, cobram transparência na relação do governo com empreiteiras e empresários, como a Delta e Eike Batista, exigem a anulação da licitação do Maracanã, entre outras pautas.