Justiça condena falso agenciador de modelos na Baixada Fluminense

Após denúncia do Ministério Público Federal (MPF) em São João de Meriti (RJ), a Justiça Federal condenou um falso agenciador de modelos a pena de 11 anos e três meses de prisão por produção, transmissão e armazenamento de fotografias com conteúdo pornográfico infanto-juvenil, além de falsa identidade e tentativa de constrangimento ilegal. O réu atua como falso agenciador desde 2008 e está preso preventivamente desde setembro do ano passado.

De acordo com as investigações realizadas pela Delegacia de Polícia Federal em Niterói (RJ), na denominada "Operação Passarela", o falso agenciador de modelos criava perfis falsos em redes sociais e aplicativos acessíveis mundialmente como o MSN Messenger, Orkut, Facebook, Ning, Badoo, Twitter e Skype, usando nomes e referências de famosas agências de modelo, induzindo as vítimas - a maioria adolescentes entre 12 e 15 anos - à crença de que se comunicavam com um representante da agência. 

As meninas eram escolhidas através da própria internet ou ainda em anúncios, nos quais as vítimas demonstravam interesse pela carreira de modelo, oportunidade na qual forneciam dados para contato. Ainda de acordo com a ação, o réu solicitava também que as vítimas indicassem amigas interessadas em serem modelos.

Depois de estabelecido o contato com as vítimas, o acusado as induzia a fornecer imagens e fotos (principalmente com conteúdo pornográfico), instruindo suas poses, vestimentas e partes do corpo a serem focadas, sob o pretexto de que o material produzido seria necessário para uma "avaliação inicial" ou para alavancar suas carreiras de modelo. Foi comprovado ainda que algumas vezes, quando as vítimas não enviavam mais fotografias ou queriam noticiar o fato à autoridade policial, o réu ameaçava publicar todas as fotos na internet.

A denúncia do MPF identificou aproximadamente 35 vítimas, entre meninas, adolescentes e mulheres, de 06 a 28 anos, residentes de diversos estados do Brasil. De acordo com o delegado da Polícia Federal que presidiu a operação , Pedro Bloomfield Gama Silva, durante as investigações foram encontrados mais de oito mil arquivos de imagens de prováveis vítimas e mais de sete mil contatos no MSN do réu.