Depois de o senador e pré-candidato ao governo do estado do Rio em 2014 Lindberg Farias criticar, em vídeo publicado no seu Facebook, neste sábado (23), a postura do PMDB de produzir dossiês de outros candidatos e entregar è revista ‘Época’, além de rebater as denúncias do conteúdo da matéria, e relembrar o escândalo do governo do Rio, Sérgio Cabral se manifestou, mas em nota:
“O governador desaprova e desautoriza o uso de dossiês, lamentando constatar a atribuição deste ao PMDB. À Justiça, cabe julgar fatos. Quaisquer diferenças entre políticos devem ser tratadas com a devida seriedade e respeito dentro do campo político”.
Na gravação, feita em meio às viagens do seu projeto “Caravana da Cidadania”, Lindberg Farias lembrou o episódio em que o deputado federal Anthony Garotinho (PR) publicou fotos na internet dos secretários de Cabral, em que aparecem em 2009 se divertindo com guardanapos na cabeça, em Paris, ao lado do governador e do ex-presidente da Delta Construções, Fernando Cavendish. “Não adianta. Eles não vão conseguir colocar um guardanapo na minha cabeça. Nós temos outra conduta”, disse o senador, em um trecho das imagens.
Denúncia “requentada”
Entre outras declarações, o senador classificou como “velha e requentada” a denúncia publicada na revista ‘Época’, a partir de informações do PMDB, sobre o recebimento de propinas de empresas contratadas pela prefeitura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
“Ela foi feita em 2007. Na época em que foi feita, é preciso que se diga, a denunciante disse que jamais presenciou qualquer participação de Lindberg Farias nos fatos por ela denunciados. Ela fala isso no primeiro momento”, ressalta o político, negando a denúncia, e segue se queixando: “Houve uma violência grande. Quebraram o sigilo de toda a minha família. Fizeram uma devassa. Quebraram o sigilo dos meus irmãos, da minha esposa, da minha mãe e do meu pai falecido há mais de 17 anos”, reclama.
O senador também questiona o retorno do tema: “Isto foi em 2007. Nós estamos em 2013. E sabe o que apareceu? Nada. Porque não tem nada. É uma denúncia mentirosa. E nem vai aparecer. Se tivesse alguma coisa, já teria aparecido, porque eles queriam me viabilizar a todo o tempo. Eu sei do que eu tive que me livrar. Da perseguição deles nesse processo todo”, afirma no vídeo.
Lindberg aponta a demora na ajuda à Região Serrana
Também depois das denúncias apresentadas pelo PMDB, o PT apresentou neste domingo (24) um documento, levantado a pedido do próprio Lindberg, que mostra que R$ 887 milhões que teriam sido repassados pela União ainda não foram repassados por Cabral na reconstrução das cidades da Região Serrana, que sofreram com as chuvas em 2011.
A Secretaria de Obras do estado, por sua vez, garante que depois dos desmoronamentos de 2011 vem trabalhando na recuperação da área. Ainda de acordo com o órgão, imediatamente depois da tragédia, os R$ 70 milhões repassados pelo governo federal foram destinados aos serviços emergenciais em sete municípios e que o total a ser investido na região é de R$ 2,2 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão de recursos federais.
A verba federal transferida seria referente à construção de casas, contenção de encostas, dragagem de rios e drenagem da água das chuvas, a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à reconstrução de pontes. Nesta segunda-feira, 25, após a tragédia provocada pelas chuvas da semana passada, a presidente Dilma Rousseff irá a Petrópolis com Cabral e o vice-governador Luiz Fernando Pezão, outro pré-candidato, para participar de uma missa pelos mortos nos deslizamentos.
Impasse na campanha presidencial
A disputa entre Lindbergh e Cabral coloca Dilma e o ex-presidente Lula, em uma sinuca de bico, já que PT e PMDB são os dois principais partidos da aliança que tentará reeleger a presidente. Sérgio Cabral, que torce pela eleição de Pezão, não gostou das críticas de Lindbergh nas inserções partidárias do PT na TV e no rádio. Por isso, o PMDB do Rio ameaça não dar apoio à Dilma caso o senador se mantenha na disputa.
Partido mais unido
No vídeo, o senador diz ainda que o seu partido se fortaleceu após esta ação do partido adversário: “Estão querendo antecipar demais a campanha. E esse movimento todo, a meu ver, mostra medo, desespero. Nós vamos continuar na nossa linha (...). Se queriam nos intimidar, nos abalar, conseguiram o contrário. Nós, do PT, estamos mais unidos e com mais força para continuar a nossa caminhada”, finaliza a gravação.