Complexo do Caju e Barreira do Vasco são ocupadas em megaoperação

Em operação que durou cerca de 25 minutos e sem encontrar resistência, as forças de segurança ocuparam na madrugada deste domingo o Complexo do Caju, conjunto de favelas que, no total, abrange 13 comunidades, e a Barreira do Vasco, na zona norte da capital fluminense. A ação teve início às 5h. Com as comunidades ocupadas, a Secretaria de Segurança Pública do Estado deve instalar novas Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, no local.

As forças das Polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal continuam nas comunidades em operações de buscas de criminosos e apreensões de armas, drogas, objetos roubados. O ônibus do Instituto de Identificação Félix Pacheco (IIFP) ficará baseado próximo ao local para facilitar a identificação de possíveis criminosos.

Na entrada do Complexo do Caju, o Bope encontrou muitas barricadas e blocos de concreto deixados pelos criminosos para tentar impedir o avanço da força da polícia. "Foi tudo muito tranquilo, já estávamos com uma estrutura preparada, prevendo esse tipo de situação", afirmou o capitão Alexandre Lima Ramos, relações públicas do Batalhão de Choque. Carros do Bope e blindados da Marinha foram usados para superar os obstáculos.

O capitão comemora que a ocupação do Complexo foi feita sem o disparo de nenhum tiro e sem confronto. "Nosso objetivo é entrar com segurança e sempre preservar a vida da população civil", disse.

Mais de 1,3 mil homens do agrupamento Centro de Operações Especiais (COE) - que engloba, dentro da PM, o Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Batalhão de Choque, o Batalhão de Ações com Cães e o Grupamento Aeromarítimo -, participaram da ocupação do Complexo do Caju. Blindados da Marinha - 17 unidades no total -, juntamente com 200 militares, deram apoio tático durante a ação. 

A polícia ainda está vasculhando a mata, além de casas e carros, atrás de armas, drogas e traficantes. Até o começo da manhã ninguém havia sido preso, mas o Bope apreendeu muita munição calibre .45, uma submetralhadora, 120 frascos de lança-perfume, 2 cartuchos com munição de fuzil 762, uma espada e dois simulacros de arma. Esse número deve aumentar durante o dia, enquanto os policiais avançam pelas buscas na comunidade.

A reportagem do Terra acompanhou uma guarnição do Bope na busca por criminosos. A revista da garagem de uma casa revoltou um morador do Complexo do Caju. "Esse carro não é roubado, não. Pode abrir e ver que está tudo direitinho. É um absurdo ter que passar por isso", disse o homem aos policiais.

O operação na comunidade começou cedo, e tornou impossível para os moradores dormirem com o barulhos de blindados e helicópteros. "Não deu pra dormir direito, não. Só um pouquinho, porque é muito barulho. Mas se eles estão aqui pelo bem, então eu digo graças a Deus", disse ao Terra um idoso que acompanhava a movimentação da polícia de dentro de casa e não quis se identificar.

No total, cerca de 20 mil moradores vivem no Caju, e outros sete mil na Barreira do Vasco. Nesse sábado, policiais militares realizam blitzes no entorno do complexo na etapa preliminar da operação, revistando carros, motoqueiros e averiguando documentação.

Nos locais a serem ocupados, está prevista a instalação de três UPPs: Parque Alegria, Parque Boa Esperança e Barreira do Vasco. Na primeira etapa das operações, o Bope, junto dos fuzileiros navais, permanecem nas comunidades fazendo o cerco por armas, drogas escondidas e membros da facção criminosa local, até a chegada do efetivo da PM (cerca de 500 homens, estima-se) que trabalhará permanentemente nas favelas.

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, já disse em entrevistas que, pelo plano de ocupação traçado, o objetivo final de recuperação territorial é o conjunto de favelas da Maré, outro reduto próximo e perigoso do tráfico, fechando o "cinturão" de pacificação da região, o que só deve ocorrer depois da Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações, em julho.

Às 10h, será realizada a cerimônia de hasteamento da bandeira do Estado do Rio de Janeiro na comunidade.

Linha Vermelha

A Linha Vermelha chegou a ser interditada às 4h para a preparação e início da ocupação no Complexo do Caju e Barreira do Vasco. Por volta de 6h20, o Centro de Operações da prefeitura do Rio de Janeiro informou que a via começou a ser liberada ao tráfego. Por ser domingo, o trânsito não ficou complicado no local.