Governo e oposição divergem sobre fim da maternidade da Praça XV

Bethlen pôs panos quentes no episódio e Paulo Pinheiro foi veemente em acusar "irresponsabilidade"

O polêmico fechamento do Hospital Maternidade Oswaldo Nazareth, popularmente conhecido como a Maternidade da Praça XV, às vésperas do carnaval, no último dia 7, foi o grande assunto do primeiro dia de trabalhos na Câmara dos Vereadores. Governistas e oposição trocaram farpas sobre a situação do atendimento às gestantes da cidade e sobrou até para o secretário municipal de Governo, Rodrigo Bethlen, que foi até a casa ler a mensagem do prefeito na abertura dos trabalhos de 2013.

A unidade era referência em partos de alto risco e de gravidez na adolescência e foi fechada sob a justificativa da "necessidade de reformas estruturais e arquitetônicas, hospitalares sistêmicas e profundas", segundo informou, enigmática, a Secretaria Municipal de Saúde. Na mensagem ao Legislativo, o prefeito Eduardo Paes ainda exaltou o programa 'Cegonha Carioca', que doa enxovais para as gestantes que fazem todo o pré-natal na rede pública. Segundo Bethlen, o fechamento pode ser definitivo, mas não há prejuízos no atendimento:

"A rede está suportando porque nós abrimos uma outra maternidade no Centro ainda maior. A Maternidade da Praça XV não foi fechada de supetão, isso já era previsto há muito tempo e estava dentro do planejamento", afirma o secretário, dando a entender que a unidade não será reativada.

Crítico da gestão do secretário de Saúde, Hans Dohmann, o vereador Paulo Pinheiro (PSOL) foi à tribuna logo após a saída de Bethlen e questionou o fechamento da maternidade. Para ele, a atitude foi uma "irresponsabilidade", tomada com o objetivo de beneficiar a Organização Social (OS) que comanda a maternidade Maria Amélia Buarque de Holanda, no Centro, para onde os atendimentos foram remanejados:

"Hoje eu estive na maternidade. Uma grávida de 39 semanas apareceu lá para fazer a última ultrassonografia antes do parto, pois não sabia do fechamento. É uma insegurança completa. Na porta, há uma ambulância sem médico, algo que o Ministério Público (MP) e os conselhos profissionais têm que avaliar. Se uma gestante chegar em trabalho de parto ou em situação grave, vai ter que ser removida rapidamente sem um profissional adequado. Vamos recorrer ao MP, mostrando a decisão deles de arquivar um processo com a promessa do secretário municipal de Saúde, que foi mentiroso", questiona o parlamentar.

A vereadora Teresa Bergher (PSDB) também criticou o encerramento das atividades na maternidade, definida por ela como "tradicional":

"Era uma maternidade muito procurada, até por sua localização privilegiada. Foi uma decisão que só podemos lamentar, mas vamos continuar cobrando mais maternidades, porque nossa cidade carece de maternidades. Objeticamente, ninguém tem a informação do porquê a prefeitura decidiu fechá-la. Vamos cobrar a razão, que é muito vaga. Se havia problemas estruturais, as pessoas que usavam a maternidade estavam correndo algum tipo de risco?", argumentou a tucana.

A base aliada, no entanto, reagiu rapidamente . O primeiro a se manifestar foi o vereador Tio Carlos (DEM), presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente, que deu seu voto de confiança à Dohmann:

"Vamos buscar o porquê do fechamento, mas posso garantir que as maternidades do Rio, hoje, funcionam", proclamou.

Outra a refutar as críticas foi Laura Carneiro (PTB), que pregou o diálogo com a SMS:

"Talvez uma audiência com o secretário Hans Dohmann esclareça a questão", disse, esperançosa.