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Morte de integrante do MST: polícia descarta disputa por terra

Regina Pinho estava desaparecida desde o último domingo

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A lavradora Regina Pinho, de 56 anos, militante do Movimento dos Sem-Terra(MST), foi asfixiada e levou uma pancada na nuca, sendo essa a causa de sua morte no último domingo(4), no Assentamento Zumbi dos Palmares 4, em Campos. É a segunda morte de militantes do MST em 12 dias na região.

A causa da morte foi revelada pelo delegado da 147ª DP, em Guarus, Carlos Augusto Guimarães, nesta quinta-feira(7). O delegado, porém, deixou claro que ainda vai averiguar a motivação do crime. 

"Pode ter sido um crime de agressão ou uma asfixia erótica que acabou resultando nisso. Vamos interrogar algumas testemunhas hoje e tentar achar esse motociclista para esclarecer isso", frisou, se referindo à pessoa que deu carona para Regina e última a ser vista com a vítima.

O delegado deu pouco crédito a um possivel assassinato por disputa de terras na região, alegando que "não existem disputas na área onde ela morava".

Morte do líder do MST é atribuída à demora da desapropriação de terras

De acordo com Guimarães, Regina viajou no domingo para uma cidade próxima, São Francisco do Itabapoana, para buscar uma fritadeira. Ela voltou na garupa de um motociclista na tarde de domingo para sua residência, no assentamento Zumbi dos Palmares 4. Regina não era vista desde domingo, tendo inclusive faltado à Missa de Sétimo Dia de Cícero Guedes dos Santos, morto em 25 de janeiro no assentamento Zumbi dos Palmares 1. Ela também não foi, na terça-feira, a uma feira onde trabalhava na cidade.

A hipótese de latrocínio, de acordo com Guimarães,está descartada, uma vez que "nada foi levado de dentro da casa".

Insegurança atormenta moradores de assentamentos

Marcelo Durão, dirigente nacional do MST, disse que já conversou com a militância na região para alertar sobre a questão da segurança na área que compreende a antiga Usina São João, desativada em 1998. São oito mil hectares ocupados pelos militantes.

"Os maiores problemas são a falta de iluminação pública e a inexistência de policiamento. A área onde a Regina morava, por exemplo,era entre os assentamentos Zumbi 4 e Zumbi 5, no meio da estrada mesmo. Ali é realmente complicado", explicou Durão, acrescentando que o próprio MST, por enquanto, não vincula a morte de Regina à de Cícero Guedes, morto no último dia 25 com mais de dez tiros na cabeça ao sair do assentamento Luís Maranhão em direção ao Zumbi dos Palmares 1, onde morava.

Apesar das reclamações, Durão reconheceu que não procurou a Polícia Militar para um aumento do policiamento ostensivo. "Não vamos mudar a rotina das 506 famílias que vivem nessa área", frisou Durão.

Enquanto isso, Genilson Peres, morador do assentamento Luís Maranhão, já não vai mais ao assentamento por medo de sofrer algo parecido. "A preocupação é muito grande. Não esperava pela morte do Cícero como aconteceu, e agora muito menos com a Regina. Fico com medo sim", contou Genilson, que definiu Regina como "uma ótima pessoa, muito ligada à causa do movimento e que pensava muito nos outros."

Freixo lamenta falta de policiamento

O deputado estadual Marcelo Freixo(PSOL) fez questão de ressaltar que as evidências não indicam uma relação direta entre os crimes de Cícero e Regina. Freixo, porém, classificou a região de Campos como sendo local do "grande conflito agrário do Rio de Janeiro":"O fato é que essa região é de muitos conflitos e está completamente desprovida de segurança. Esses problemas podem não ter relação com a terra, mas acabam esbarrando na questão dos lotes, ocupações e moradias", analisou Freixo.

O deputado disse que, depois do assassinato de Cícero, solicitou que uma viatura da Polícia Militar estivesse presente no assentamento onde morava o líder comunitário. "Acompanhei o crime do Cícero de perto. Essa morte da Regina, por mais que não tenha relação com disputa de terras, precisa ser investigada", finalizou.