Tumulto e longas filas no cadastramento de vendedores para o Carnaval de rua

Os ambulantes em busca de credenciamento para vender bebidas no carnaval de rua do Rio precisaram de muita paciência para aturar o tumulto e a fila que, nesta terça-feira(22), dava a volta no quarteirão da Vila Olímpica da Gamboa, na zona portuária do Rio. Junto com a credencial o ambulante recebia um boné, uma camisa e o isopor a ser usado nos blocos.

A prefeitura do Rio determinou que somente vendedores cadastrados estão autorizados a vender bebidas nos blocos da cidade. A obrigatoriedade fez com que milhares de pessoas corressem para a Vila Olímpica da Gamboa, onde a empresa Dream Factory iniciou hoje o credenciamento dos 5 mil vendedores.

De acordo com a Dream Factory, o primeiro dia de credenciamento foi encerrado com a distribuição de 1.820 kits, dos cinco mil disponíveis. Na fila, as pessoas criticavam a falta de informações e a má organização. “Está horrível porque não passam informação, não distribuem senha. A fila preferencial não está adiantando nada, não anda”, conta Luciana Barbosa, 37 anos, que contabilizava cerca de 8 horas na fila carregando no colo a filha Heloisy de 4 meses.

Sonia Valentina dos Santos, 74, aguardava a vez desde às 8h na fila preferencial. Ela afirmou que seguranças ofereceram por R$ 30 o kit com isopor e boné - que deveria ser distribuído gratuitamente após o cadastramento -, e reclamou da falta de senhas para organizar. "Não distribuíram senha para amanhã, vou ter que dormir aqui. Nos outros anos não era essa bagunça. Tem segurança vendendo isopor por R$ 30", lamentou.

Paulo Oliveira, 58, conseguiu se credenciar depois de esperar mais de 30 horas na fila. Apesar de comemorar o kit, ele criticou a organização. “Sou vendedor há muitos anos. Antes eu levava o meu isopor e não tinha problema. Agora somos obrigados a enfrentar essa fila que é uma vergonha”, criticou.

Segundo a empresa responsável, o cadastramento foi encerrado às 17h e será reaberto às 8h de quarta-feira (23). Às 18h30, no entanto, a fila ainda dava a volta no quarteirão e as pessoas começavam a estender lonas de plástico para se protegerem da chuva durante a noite.

Apesar de distribuírem um isopor considerado pequeno, os ambulantes credenciados disseram que poderão fazer uso de outros maiores que acondicionem um maior numero de bebidas.

* Do Projeto de Estágio doJornal do Brasil