Espanhol acusado de terrorismo foi preso no Rio por falsidade ideológica 

José Angel González estava a uma semana de ter seu crime prescrito na Espanha 

Escondido no Brasil desde 1996, o espanhol José Angel Vizán González, 53 anos, acusado de ser membro do grupo separatista ETA, foragido da justiça espanhola desde 1991, foi preso por falsidade ideológica nesta sexta-feira (18), na Zona Sul do Rio de Janeiro, a menos de uma semana de seu crime ser prescrito na Espanha. No Brasil ele utilizava-se um documento verdadeiro em nome do espanhol Aitor Julian Arechaga Eshevarria, que ele alega desconhecer, sobre o qual colocou sua foto.

Na Espanha ele é acusado de ter provocado um atentado, explodindo um carro de polícia e matando os dois agentes que estavam nele. Por este crime foi condenado a 20 anos de prisão, em 1991, pela Audiência Nacional, tribunal espanhol encarregado de assuntos ligados ao terrorismo. Neste mesmo ano ele fugiu para a França, aonde permaneceu até 1993. Depois morou no México até 1996 quando então se mudou para o Brasil. Segundo o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valmir Lemos de Oliveira, é possível que ele tenha passado por outros estados, mas foi no Rio que fixou residência.

Classificado como terrorista pelas autoridades espanholas. o ETA lutou, por mais de 50 anos, pela independência do País Basco, na região que compreende o norte da Espanha e o extremo sudoeste da França. Em outubro de 2011 o grupo emitiu um comunicado anunciando o fim de todas as suas atividades.

Nome falso

Em 2012, o foragido espanhol se cadastrou no Registro Nacional de Estrangeiros com o mesmo nome falso que utilizava. Foi a partir deste registro que a Polícia Federal, alertada pela polícia espanhola da possibilidade da presença de supostos terroristas no Brasil, verificou que a impressão digital não coincidia com o nome apresentado. Há três semanas, após cruzarem informações, a polícia espanhola alertou as autoridades brasileiras de que se tratava de González, como explicou Lemos de Oliveira.

González foi preso às 9h30, próximo de onde morava, na zona Sul do Rio. Ele vivia com a mulher e um filho, ambos espanhóis. Trabalhava como tradutor e professor de espanhol em um curso. No Brasil ele responderá por falsidade ideológica e ficará preso na penitenciaria de Bangu. O governo espanhol ainda não pediu a extradição do preso. Caso formule o pedido, a extradição será decidida pelo Supremo Tribunal Federal, quando a questão da prescrição será debatida. 

Um fato curioso é que González, ao ser preso, pediu asilo político no Brasil. Ele também comentou sobre isso com autoridades policiais, uma vez que ele considera que as acusações sob ele na Espanha têm a ver com seu envolvimento político no país, sem no entanto citar diretamente o ETA.