Bornier fala em calamidade pública, lacra prefeitura e critica antecessores

Novo prefeito de Nova Iguaçu visitou Hospital da Posse e classificou-o como desumano

Ao assumir como novo prefeito do município de Nova Iguaçu, na baixada fluminense, Nelson Bornier, não apenas trancou o prédio tal como o Jornal do Brasil anunciou que ocorreria, como ainda acusou seus dois antecessores – o atual senador Lindbergh Farias (PT) e a ex-prefeita Sheila Gama (PDT), de cometerem irregularidades com o dinheiro público. 

"São muito graves as denúncias de irregularidades com o dinheiro do povo cometidas nos últimos oito anos em Nova Iguaçu”, escreveu em um cartaz colocado na porta do prédio. No mesmo texto, ele pede desculpas à população e explica os motivos do fechamento do mesmo.

Sheila Gama foi eleita vice-prefeita na segunda gestão de Farias, em 2008. Assumiu em 2011 o cargo de prefeita quando o ex-prefeito tomou posse no Senado Federal. Nas últimas eleições ela concorreu à reeleição, mas foi derrotada por Bornier.

O fechamento do prédio pode ser visto como uma "jogada midiática" uma vez que teria como objetivo evitar o desaparecimento de documentos e a retirada de equipamentos. Se isto tivesse que acontecer, não seria no dia da posse, mas ao longo dos meses entre a eleição e o início do novo governo.

Visita ao hospital

Logo após a posse na Câmara Municipal – no município não houve transmissão de cargo – Bornier visitou o Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) e, impressionado com o que chamou de situação desumana, anunciou que decretará estado de calamidade pública no município, como já havia antecipado ao JB.

Ao visitar todos os setores do hospital, Bornier deparou-se com falta de médicos, macas com pacientes espalhadas pelos corredores do setor de emergência, paredes descascadas e com infiltrações, o chão quebrado, enfermarias sem ar-condicionado, equipamentos parados, lixeiras próximas aos pacientes, almoxarifado sem controle dos medicamentos.

– Estamos vendo neste hospital um cenário desumano. Vou sair daqui e decretar imediatamente calamidade pública na saúde de Nova Iguaçu. É inevitável que o ministro da Saúde venha aqui ainda esta semana paraver de perto essa realidade. Não tem hoje nenhum setor em condições de receber pacientes, nem de trabalho para os profissionais que atuam aqui. Estou impressionado com o que vi. O Ministério da Saúde precisa urgentemente resolver a questão do Hospital da Posse, um hospital fundamental na região porque atende pacientes de toda a Baixada –desabafou Bornier.

O novo prefeito garantiu que não fechará a emergência, uma das três de toda a Baixada Fluminense. Ele ainda não anunciou o nome do novo diretor do hospital, mas criou um gabinete de crise para resolver a grave situação. 

Ele também confirmou a abertura de sindicância para investigar a denúncia do jornal Extra de que a administração municipal jogou remédios no lixo. Também verificará informações de que, a partir do anúncio de sua visita ao hospital, funcionários trataram de fazer uma maquiagem na tentativa de melhorar a situação, inclusive com a transferência de pacientes.

Cartaz na prefeitura

O novo prefeito sequer entrou no prédio da prefeitura. Ele mandou trancá-lo para, como explicou, fazer a transição que a ex-prefeita não permitiu que ocorresse. Ao trancar o prédio, diz querer evitar que desapareçam documentos e equipamentos. Na porta colocou um cartaz com as explicações que entendeu necessária à população:

Este prédio, sede da prefeitura de Nova Iguaçu, estará fechado nos próximos dias, a contar de hoje, para que possamos fazer, enfim, a transição que nos foi negada pela ex-prefeita. São muito graves as denúncias de irregularidades com o dinheiro do povo cometidas nos últimos oito anos em Nova Iguaçu. Peço a compreensão dos senhores contribuintes nos próximos dias. Seremos rápidos na transição. Os senhores serão informados brevemente da liberação deste prédio. Fiquem tranquilos. Seus direitos serão respeitados de agora em diante”.

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* Com informações da assessoria de imprensa do novo prefeito