Firmado contrato no Rio para compra de trens e fábrica 

Acordo foi assinado com a SuperVia e Alstom

Oitenta novos carros da Supervia serão comprados para modernizar o sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Está acertada também a construção de uma fábrica em Deodoro, para construção dos 20 novos trens em território nacional. 

O acordo foi firmado na manhã desta segunda-feira (03) entre a Supervia, empresa liderada pela Odebrecht Transport, a empresa austríaca Alstom, em seu terceiro investimento no país, e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio.

"A presidente Dilma acredita no transporte metroferroviário. Podem ter certeza: esse meio de transporte vai crescer no Brasil nos próximos anos, e o Rio está à frente", declarou  Sérgio Cabral.

O investimento total será de cerca de 300 milhões de reais neste projeto, e gerará cerca de 300 empregos até 2014, segundo estimativas dos envolvidos. 

Os trens, que seriam comprados somente em 2016, tiveram sua compra antecipada em quatro anos, com o compromisso de colocar todos eles em circulação até setembro de 2014. O Governo do Estado e a SuperVia já aplicaram R$ 2,4 bilhões na revitalização do sistema ferroviário.O presidente da Alstom, Marcos Costa, diz que o Rio faz parte da história da Alstom, e ressaltou que a construção dos trens será feita em território nacional, com 65% da chamada nacionalização.

Projetos futuros

O presidente da SuperVia, Carlos José Cunha, reconheceu que ainda há muitos problemas a ser resolvidos, o que "não aconteceria num estalar de dedos". Ressaltou, porém, que o principal compromisso da SuperVia é o "respeito absoluto aos passageiros", ressalvados os problemas enfrentados diariamente nas composições.

Cunha lembrou também de uma história curiosa para ilustrar a eficiência da SuperVia:

"Na SuperVia, todos os passageiros sabem qual é a plataforma na qual eles têm que embarcar. Aqui não aconteceria o que aconteceu comigo em Congonhas. Chego no portão 12 para embarcar e, de repente, me falam que o portão na verdade é o 17. Um absurdo!", contou o presidente da Supervia, entre risos dos presentes.

Atualmente, a SuperVia possui 190 trens: 50 com ar condicionado, 33 de aço inox com ar condicionado, 58 de inox sem ar condicionado e 49 de aço carbono, também sem ar condicionado. Em 2014, Cunha prometeu que toda a frota, prevista para 221 trens, terá ar condicionado. Cento e trinta com ar e 91 sem ar.

A capacidade, hoje de 540 mil passageiros por dia, também será ampliada para a Copa do Mundo:

"Esperamos receber 1 milhão de passageiros por dia durante a competição", antecipou Cunha.

Sobre a estação Maracanã, Cunha garantiu que será uma estação moderníssima, preparada para receber tanto os que chegam de trem quanto os que chegam de metrô:

"Será uma referência para a Copa do Mundo de 2014", finalizou o empresário, que ficou não respondeu à pergunta sobre qual seria o funcionamento da nova estação para a Copa das Confederações, em junho de 2013.

Elogios a Cabral marcam cerimônia

O secretário de Transportes do Estado do Rio, Júlio Lopes, fez questão de dizer que "os dias não foram fáceis para chegar até aqui", e aproveitou para elogiar Cabral. "Ele cobra muito, mas é um irmão para mim, e realmente faz acontecer. Trouxe para o Rio uma nova era, um Rio de paz, harmonia e felicidade".

Sobre a administração dos transportes na cidade, Lopes comparou números de 2007, primeiro ano da administração Cabral, aos de 2012.

"Em 2007, tínhamos 760 Viagens por dia, e hoje temos 831. Eram 436 mil passageiros, e hoje são 540 mil. As falhas também diminuíram: eram 2586 falhas por ano, contra 641 em 2012, um número aceitável nos padrões internacionais", comparou Lopes.

O secretário estadual da Casa Civil, Régis Ficthner, também elogiou Cabral ao comparar os investimentos no metrô nos últimos seis anos, em relação aos seis anos do governo Sérgio Cabral:

"Desde os anos 70 haviam sido construídos 18 km de linhas de metrô. Em seis anos, Cabral construiu 16 km, quase o dobro", comparou Fitchner.

Fichtner adiantou ainda uma iniciativa para o início de 2013: licitar todas as linhas intermunicipais de ônibus do Rio de Janeiro.

"Com todas as mudanças nos trens, mais os 5 BRTs novos que a prefeitura fará, vai mudar tudo", empolgou-se o secretário.

O próprio Cabral, com tantos elogios, demorou menos em sua exposição do que seus subalternos. Disse que era, sem dúvida, um dia memorável, e criticou o que chamou de "populismo" das administrações anteriores com relação ao transporte.

"Não há nada mais nefasto do que esse populismo, até porque o transporte é um setor delicado. Um dos motivos da favelização é esse: o trabalhador quer morar em áreas próximas ao trabalho, quando nem sempre é o ideal. Mas estamos mudando isso", disse Cabral, ressaltando ainda o espírito de equipe e a necessidade do modelo atual de gestão na cidade do Rio de Janeiro:

" É um trabalho que se faz com muitas mãos juntas, e não há outro jeito de fazê-lo que não seja por essas parcerias público-privadas", concluiu o governador sob aplausos.