Manifestantes protestam contra a privatização do Maracanã

Cerca de 300 pessoas caminharam pelas ruas da Tijuca até o estádio

Cerca de 300 pessoas saíram da Praça Saens Peña, na Tijuca (Zona Norte), e caminharam até o Estádio Mário Filho na manifestação O Maraca é Nosso!Grande ato unificado contra a privatização e as demolições do Complexo do Maracanã. Torcedores com as camisas de seus times, atletas, estudantes e índios, que protestam contra as mudanças no complexo esportivo, cantaram gritos de guerra e entoaram cânticos indígenas debaixo do forte calor carioca na manhã deste sábado (1/12).

O ato, organizado pelo Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, quer evitar a demolição do Parque Aquático Julio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros, da Escola Municipal Friedenreich e do prédio onde funcionou o Museu do Índio. De acordo com o projeto de privatização e concessão do Maracanã, estes espaços serão demolidos para dar lugar a áreas de aquecimento de atletas, estacionamentos, restaurantes e um shopping.

Presente ao ato, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) questionou as demolições previstas no projeto e a 'descaracterização' e concessão do Maracanã.

"O Maracanã é um dos espaços mais democráticos e mais populares do Rio de Janeiro. Eu só posso vender ou ceder alguma coisa se ela me pertencer. E o Maracanã não pertence ao governo, ele pertence ao povo, e à história do Rio de Janeiro. Pra vender ao Eike Batista, ou seja lá quem for, tem que consultar a população, que na maioria esmagadora é contra", garantiu o parlamentar. "O fim da geral já foi um absurdo. Agora, acabar com uma escola, com um museu para a construção de uma arena multiuso que descaracteriza a alma do carioca não vai ficar barato. Essa movimentação nas ruas é só o início de muito protesto".

Gustavo Mehl, de 29 anos, um dos integrantes do Comitê Público da Copa e Olimpíadas, justificou a realização do ato.

"É o resultado de um processo arbitrário. Não contaram com a presença e opinião de torcedores e usuários das instalações. Estamos indignados. Querem acabar com a escola que está entre as dez melhores, com o Júlio Delamare e com o Célio de Barros que atendem a crianças e adultos, desenvolvendo vários projetos de inclusão social", disse ele. "Estamos aqui para dizer que o Maracanã deve servir à população e não ser um local apenas para se conseguir lucro. Queremos uma solução satisfatória para todos os lados".

Também deputada estadual, Clarissa Garotinho (PR) afirmou que propôs um projeto de plebiscito e espera que a população decida, dentro de 15 dias, qual será o destino do complexo do Maracanã.

"Sou contra a privatização. O Estádio é público e precisa manter esse caráter. A privatização tira esse viés social e esportivo. O que valerá é o interesse do concessionário. Quem sabe quanto ele cobrará para receber um clássico? E se ele preferir realizar um show no lugar de um Fla x Flu? Qual será o preço dos ingressos?", indagou a parlamentar.

Mãe de um estudante da Escola Municipal Friedenreich, a quarta melhor no estado, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Áurea Maria Xavier, moradora em Vila Isabel (Zona Norte) destacou, além da qualidade do ensino, outras qualidades da unidade que pode ser demolida.

"A escola era perfeita. Acessível, confortável. A equipe de professores e funcionários era única. É inacreditável que queiram demoli-la", avaliou. "O governador e o prefeito nunca foram até lá, não sabem nem do que se trata".

Em reformas desde setembro de 2010, o estádio deve estar pronto em fevereiro de 2013 e será uma das sedes da Copa das Confederações, realizando, inclusive, a final do torneio. Em 2014, no Mundial, também vai receber a decisão da competição.