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Menor suspeito de participação em chacina é detido em Mesquita

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Policiais do Batalhão de Mesquita (20º) apreenderam um menor de 16 anos, conhecido como Foca, na localidade de Jacutinga, em Mesquita, na Baixada Fluminense, suspeito de participação na chacina de seis jovens no último fim de semana. Segundo a polícia, Foca seria o número três da organização criminosa que domina a Favela da Chatuba.

O menor foi detido em casa e chegou a usar a mãe como escudo para escapar da prisão. Ele não assumiu o crime, mas disse que conhece os outros acusados. 

>> Polícia acha roupas em perícia na cachoeira onde jovens morreram

Nesta quarta-feira, um novo suspeito de envolvimento na morte dos seis jovens no Parque do Gericinó foi apresentado na 53ª DP. Daniel Dias dos Santos, de 23 anos, é apontado por familiares das vítimas como um dos traficantes envolvidos na chacina.

O suspeito, porém, alegou inocência de qualquer envolvimento na chacina da Chatuba. "Encontraram 19 kg de maconha na minha casa. Não são meus, algum traficante colocou tudo ali escondido de mim e da minha mulher. Fomos presos eu, minha mulher e meus primos, enquanto o traficante que fez isso está solto. Não sei absolutamente nada sobre a morte dos jovens", afirmou Santos.

Segundo o titular da 53ª DP, Júlio da Silva Filho ele, Daniel Santos foi reconhecido por um dos familiares como um dos traficantes que já sabia da morte dos adolescentes quando eles ainda estavam desaparecidos:

"No dia em que os familiares estiveram no local do crime para procurar pertences dos jovens ele estava com um rádio de comunicação, passando informações para seus comparsas. Isso mostra um claro envolvimento com este caso", apontou o delegado. Perguntado sobre o pedido de Beltrame à Corregedoria da Polícia Militar para que averiguasse a má conduta de policiais militares na Chatuba, Silva Filho desconversou: "Nada foi passado para nós. Nenhum morador fez qualquer reclamação à delegacia sobre roubos ou má conduta de policiais aqui na região", disse.

Apreensões e reconhecimento

O dia seguinte à operação na favela da Chatuba foi de duas grandes apreensões. Os familiares das vítimas foram à 53 DP, em Mesquita, e fizeram o reconhecimento de pertences dos jovens assassinados no último final de semana.

A primeira foi um grande volume de fogos de artifício encontrado na casa de Roberto Machado, de 72 anos, detido pelos policiais e encaminhado à delegacia. O idoso alegou que todo material seria para seu uso exclusivo, mas os oficiais chegaram à casa de Machado com informações de que haveria bandidos escondidos em sua casa, no bairro de Santa Teresinha, na favela da Chatuba. 

Em seguida, foram apresentados diversos componentes de materiais de endolação de drogas, facões, facas e tesouras. Além disso, uma camisa com traços de sangue foi levada à delegacia, encontrada em um dos acampamentos mantidos pelos bandidos no Parque do Gericinó, em Nilópolis. Todo o material será encaminhado para análise pericial.

Barbaridade

A maior parte dos familiares saiu rapidamente da 53 DP, sem dar entrevistas. Para Rubens Marinho, amigo das famílias das vítimas, a tragédia é apenas um reflexo do aumento da violência na Baixada Fluminense:

"Conheço os pais de todos os jovens e eles nunca se envolveram com nada. Depois que fizeram as UPPs no centro do Rio a violência aumentou muito em nosso município, com roubos de motos e assaltos. Moro em Nilópolis e é a primeira vez que coisas assim acontecem tão perto da gente, uma barbaridade dessas. Foi preciso chegar ao ponto que chegou para que a segurança melhorasse por aqui", lamentou.

A mãe de um dos rapazes presos na operação nesta segunda-feira (10), que não quis se identificar, frisava a inocência do filho:" A Loura (uma das presas na segunda-feira e parte integrante do tráfico de drogas na região) tinha prometido um serviço para ele, e estava com os documentos do meu filho. Quando ele foi buscar na casa dela, a polícia chegou e um dos rapazes que estavam na casa disse que a droga encontrada lá era de todos", contou ela, que já teve outro filho morto há seis meses em uma batida policial na favela. 

José Aldecir da Silva, pai do rapaz desaparecido desde sábado (8), também foi à delegacia. Ele garantiu que não tem medo de morrer após denunciar os possíveis autores do crime: "Remilton Moura da Silva Júnior, conhecido como " Juninho Cagão", de 30 anos, e "secretário" de Remilton." Segundo ele, o primeiro teria atirado no filho, e o segundo teria enterrado o corpo em local desconhecido. 

" A gente está aqui para morrer. Já denunciei e agora vou até o fim, até achar o corpo do meu filho. Tirei minha família daqui e agora vou sozinho nessa busca. Depois de tudo acabar, vou sair daqui. Vai ficar complicado para mim", reconheceu.

Nota oficial

A Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria-Geral da Presidência divulgou nota lamentando a morte dos jovens e se solidarizando com as famílias.

Veja a nota: 

Chacina de jovens no Rio de Janeiro 

A Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria-Geral da Presidência da República (SNJ/SG-PR), lamenta profundamente as vidas perdidas na chacina ocorrida no último sábado (8), no Parque do Gericinó, em Mesquita, Baixada Fluminense, e se solidariza com os familiares de Christian Vieira, Victor Hugo Costa, Douglas Ribeiro e Glauber Siqueira, Josias Searles e Patrick Machado. Este crime – que não pode ficar impune – é mais uma evidência do processo de violência pelo qual passam os jovens brasileiros, especialmente os negros, e que se configura como um dos problemas mais dramáticos de nossa sociedade. 

Dados do Ministério da Saúde são alarmantes e mostram que mais da metade dos homicídios no Brasil (53%) atingem pessoas jovens e, deste grupo, mais de 75% são jovens negros, em sua grande maioria homens (91%), com alta incidência de vítimas entre 20 a 25 anos. 

Temos a certeza de que, para enfrentar a violência contra os jovens é fundamental assegurar os seus direitos, aprofundar a implementação de políticas públicas voltadas para a inserção social, com autonomia e emancipação deste segmento, e combater a impunidade dos crimes violentos. A Secretaria Nacional de Juventude está, neste momento, trabalhando com ministérios, governos estaduais e municipais e organizações da sociedade civil para lançar políticas concretas de enfrentamento à violência contra jovens negros.