Presidente da Cruz Vermelha renuncia;   filiais da entidade sofrerão "varredura"

Depois das últimas denúncias de desvios de recursos envolvendo a Cruz Vermelha - uma das maiores entidades filantrópicas do mundo - o presidente Walmir Serra Junior renunciou ao cargo na tarde desta terça-feira (11). 

Em reunião que contou com integrantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e com 17 diretores de subseções da entidade, ele propôs uma auditoria em todas as filiais do país. Depois, anunciou sua saída.

Com ele, Anderson Choucino também deixou o posto de vice-presidente da entidade. Couchino foi citado em denúncia do jornal Folha de São Paulo, no início do mês. Segundo a reportagem, uma ONG do Maranhão, ligada a ele, recebeu verbas municipais que deveriam ter sido aplicadas em um hospital em Balneário Camboriú (SC).

O novo presidente será Nício Lacorte, que dirigia a filial gaúcha da Cruz Vermelha. Segundo informações, todo o Conselho Diretor da Cruz Vermelha aceitou a ideia da auditoria externa e internacional do Walmir Serra. 

A auditoria será feita pela Federação Internacional da Cruz Vermelha, sediada em Genebra, na Suíça. A varredura será acompanhada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, célula-mãe da entidade. Haverá, segundo a Federação, uma licitação para escolher a empresa responsável pela auditoria. 

Nesta quarta-feira (12), o Jornal do Brasil noticiou uma denúncia envolvendo a seção da Cruz Vermelha de Nova Iguaçu. Em processo judicial, a subseção da entidade no município da Baixada Fluminese é acusada de não prestar contas de R$ 3 milhões repassados pelo Ministério da Saúde; desaparecer com R$ 300 mil que estavam em uma conta da Caixa Econômica Federal; e até de manter uma Escola de Enfermagem onde estudam cerca de 500 alunos sem possuir enfermeiros habilitados para a função.

O processo na 1ª Vara Cível de Nova Iguaçu tramita desde 1º de fevereiro deste ano. Ele é da iniciativa do sócio benemérito Ramalho Gomes de Souza Junior, que responsabiliza pelas irregularidades o atual presidente da Cruz Vermelha daquela cidade, Daniel Coelho do Nascimento, e o interventor José Maria Teixeira Fonseca, ex-secretário-geral da direção nacional da entidade. 

Na ação, Souza Junior também questiona a legalidade da intervenção da Cruz Vermelha Nacional na filial de Nova Iguaçu, realizada em 2008. Para ele, ela desrespeita o prazo máximo de 90 dias, fixado em decreto federal.