Prefeito de Guapimirim e outras três pessoas são presas em operação da Draco

Cerca de R$ 1 milhão em joias e dinheiro foram apreendidos

Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) já cumpriram quatro dos sete mandados de prisão emitidos pela Justiça durante a Operação Os Intocáveis, destinada a desmantelar uma quadrilha acusada de desviar recursos da prefeitura de Guapimirim, na Região Metropolitana do Rio.

Entre os presos estão o atual prefeito Renato Costa Mello Júnior, o Júnior do Posto; a subsecretária de Governo e candidata a prefeita, Ismeralda Rangel Garcia; o secretário de Governo, Isaías da Silva Braga; e o chefe do Setor de Licitações da prefeitura, Ramon Pereira da Costa Cardoso.

Veja o vídeo do momento em que o prefeito foi preso:

Cerca de R$ 1 milhão em joias e dinheiro foram apreendidos nas casas do prefeito, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, da subsecretária de Governo e do presidente da Câmara de Vereadores de Guapimirim, Marcelo Prado Emerick, que ainda está foragido. Também foram apreendidos três carros, revólveres, pistolas e computadores. Todo o material foi levado para a Academia de Polícia, no Centro do Rio.

O Ministério Público Estadual denunciou um total de 16 pessoas sob acusação dos crimes de quadrilha armada, fraude em licitação, corrupção ativa, coação no curso do processo e peculato, que podem somar até 24 anos de prisão. Entre os denunciados, que não têm mandado de prisão decretada, estão os vereadores Iram Moreno de Oliveira (“Iram da Serrana”), Alexandre Duarte de Carvalho e Marcel Rangel Garcia (“Marcel do Açougue”), que recebiam mensalmente, cada um, valores entre R$ 50 mil e R$ 80 mil para evitar que as contas da Prefeitura fossem alvo de fiscalização pela Câmara Municipal de Guapimirim.

A Operação Os Intocáveis é resultado de sete meses de investigação da Draco, a partir de uma denúncia recebida. De acordo com as investigações, o grupo roubava dinheiro público dos cofres da prefeitura por meio de diversas ações criminosas. 

Alguns exemplos:

·Veículos particulares em nome dos acusados eram alugados para a prefeitura a preços superfaturados, como no caso de um automóvel ano 1993 que custava R$ 7 mil por mês aos cofres municipais.

·Notas fiscais contabilizam a venda de até 60 toneladas de carnes por mês para a Prefeitura, porém essa quantidade era incompatível com a demanda do município e com o porte do fornecedor. O mesmo artifício de vendas fantasmas era usado para fraudar compras de pães e outros alimentos destinados à merenda escolar.

·O presidente da Câmara dos Vereadores, “Marcelo do Queijo”, é proprietário de uma empresa de manutenção de ar-condicionado que prestava serviços para a prefeitura com notas fiscais superfaturadas. 

Organização ofereceu propina a policiais

Durante as investigações, os políticos criminosos procuraram policiais da Draco para tentar um “acerto”. A Draco pediu autorização judicial para, de forma simulada, aceitar uma propina, como forma de ganhar a confiança dos investigados e conseguir mais provas.

Assim, no dia 27 de julho, policiais se encontraram com os criminosos num posto de gasolina em Guapimirim para receber a quantia de R$ 800 mil, entregue em notas de R$ 100 e R$ 50, oferecida como propina pela organização criminosa para que as investigações fossem encerradas. O dinheiro foi entregue aos policiais pelo presidente da Câmara dos Vereadores, vereador “Marcelo do Queijo”, acompanhado de outras pessoas. Chamou a atenção dos policiais o fato de as cédulas estarem úmidas e com cheiro de esterco, o que leva a crer que estavam enterradas. Na ocasião, os criminosos disseram que, a partir de janeiro de 2013, iriam pagar R$ 20 mil mensais para os policiais, caso a candidata Ismeralda Rangel Garcia ganhasse as eleições para a Prefeitura de Guapimirim.

Os R$ 800 mil recebidos pela Draco na tentativa de suborno foram imediatamente depositados numa conta bancária, à disposição da Justiça.

O prefeito Renato Costa Mello Júnior tem 35 anos, já foi deputado estadual em 1998 (aos 21 anos de idade) e vice-prefeito de Guapimirim (2004). Em 2008, tornou-se candidato a prefeito após a candidatura à reeleição de seu tio, “Nelson do Posto”, ter sido impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral. “Júnior do Posto” é filho de “Renato do Posto”, conhecido político de Guapimirim, assassinado em março de 2009. Sua irmã, “Renata do Posto”, foi deputada estadual, cassada em 2008 por envolvimento em fraude com o auxílio-educação. Há mais de uma década a família “do Posto” domina a política da cidade. Renato resolveu não se candidatar à reeleição e apoiava a candidatura de Ismeralda.