Estudantes bloqueiam entrada de professores em prédio da UFRJ

Professores e alunos do departamento de História foram proibidos de entrar no IFCS

A entrada do prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ foi tomada por estudantes na manhã de hoje (13). O objetivo era impedir que os professores do Departamento de História entrassem no prédio para a volta às aulas, prevista para hoje após votação em assembléia realizada no dia 8 de agosto. Francisco Teixeira, professor titular de História Contemporânea da UFRJ, explicou o que motivou a decisão dos profissionais em voltar às aulas. "Após três meses de greve, e com os pagamentos sendo efetuados, consideramos que os resultados da greve foram substanciais até agora. Além disso, estamos no limiar de perder o primeiro semestre. Foi por isso que decidimos voltar hoje, mas não querem deixar a gente entrar", disse Teixeira, que não poupou críticas os manifestantes que estavam no local: "Vários que estão ali na frente não são nem alunos da História. Quando tentei dialogar, fui chamado de traidor, pelego e fura-greve. Fui preso dentro desse mesmo prédio três vezes pela ditadura. Eles não têm o direito de me chamar de traidor", pontuou. 

Estudantes apoiaram a posição dos professores: "Eu só quero me formar, terminar o que preciso dentro da faculdade. É tão difícil?", questionou uma das alunas. O comando de greve da UFRJ explicou os motivos da intervenção. "Os professores da História realizaram uma assembleia à parte da assembleia geral dos docentes, sendo que esta última decidiu pela manutenção da greve dos professores. Eles não podem passar por cima dessa decisão. Por que eles não foram à Assembleia questionar o que eles achavam errado?", questionou Júlio Anselmo, que também é candidato a vereador pelo PSTU. Felipe Camargo, diretor de Cultura do DCE da UFRJ, confirma a posição de Anselmo: "Só queremos que seja respeitada a decisão da Assembleia." 

Os professores de História declararam que só chegaram à Assembleia 40 minutos depois do início desta, e a greve já havia sido votada pela maioria dos docentes.

Em um dado momento, os professores do departamento se juntaram e começaram uma aula em pleno Largo de São Francisco, contando a história daquele prédio e da própria universidade. Foram interrompidos por Mauro Iasi, presidente da Associação de Docentes da UFRJ. Iasi pedia aos professores que se juntassem aos estudantes e manifestantes para uma discussão dentro do edifício do IFCS. Mônica Grin, professora de História Contemporânea, interrompeu a fala de Iasi e, a partir dali, começou um bate-boca verbal, que foi controlado pelos professores de História antes que ocorresse alguma agressão física. Até o fim desta manhã, nenhum acordo havia sido estabelecido entre as partes envolvidas.