Áreas sem UPPs registram aumento de crimes violentos no 1° semestre deste ano

Enquanto dados mais recentes sobre a segurança pública do estado do Rio de Janeiro mostram uma queda de registros de autos de resistência (morte em confronto com a polícia) e nos crimes de homicídio e roubo, uma análise dos indicadores criminais por região revela que há crescimento de crimes violentos em algumas áreas da cidade. Coincidentemente ou não, em redutos que não contam com Unidades de Polícia Pacificadora. 

Na contramão dos bons índices alcançados no estado comemorados pela cúpula da Segurança Pública e pelo governador Sérgio Cabral, estão as localidades de São Gonçalo, Irajá, Ilha do Governador, Pavuna, Anchieta, Guadalupe, Barros Filho, Coelho Neto, Acari, Madureira e Oswaldo Cruz. 

De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública este mês, os bairros da Área Integrada de Segurança Pública (AISP) nº 7 - aqueles cujo policiamento fica a cargo do 7° BPM (São Gonçalo) -  registraram um aumento de quatro dos seis crimes classificados como mais violentos.  O registro de homicídio doloso teve aumento de 24 casos (de 143 para 167); tentativa de homicídio tem 10 casos a mais (de 119 para 129 casos). O mesmo aconteceu com os registros de lesão corporal dolosa, que teve crescimento de 14 casos (de 2153 para 2167). No rol de crimes menos violentos, o panorama é o mesmo: o roubo a pedestres teve aumento de 576 casos, assim como o roubo de veículos (aumento de 491 casos).

Na  AISP n°41, que também não conta com nenhuma Unidade de Polícia Pacificadora, dos seis crimes violentos apenas um deles apresentou queda. O crime de lesão corporal dolosa foi o único que caiu (passando de 1282 casos no primeiro semestre de 2011 para 1235 no mesmo período de 2012). Já os registros de homicídio doloso, latrocínio, tentativa de homicídio e estupro tiveram aumento. 

No rol de crimes menos violentos, o roubo de veículos teve aumento de 305 casos e assusta. O mesmo aconteceu com roubo de carga, com 134 casos a mais do que o primeiro semestre do ano passado.

Região que vive há pelo menos cinco anos a guerra entre quadrilhas de três facções rivais, a AISP 9, que engloba os bairros como Rocha Miranda, Madureira, Oswaldo Cruz e Cascadura, só conseguiu diminuir os casos de homicídios. Já os registros de tentativa de homicídio mais que dobraram. O número saltou de 65 casos no primeiro semestre de 2011 para 141 no mesmo período de 2012. Os crimes de lesão corporal dolosa, estupro e roubo tiveram aumento. O crescimento de registros foi de 32, 40 casos e 425 casos respectivamente.  

O panorama é bem parecido para os moradores do maior conjunto de favelas ainda não pacificado do Rio, o Complexo da Maré, e para a população da Ilha do Governador. Apesar de conseguirem diminuir o número de homicídios, as duas localidades viraram reduto de crescimento de outros crimes violentos.

Bairro que conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora há quatro anos, Botafogo teve apenas um crime com registro de crescimento. Os casos de lesão corporal dolosa tiveram aumento de 66 casos. Todos os outros indicadores de crimes violentos tiveram declínio.

O mesmo se verifica na região que conta com AISP nº6 - que compreende as áreas da Tijuca, Andaraí, Grajaú e Alto da Boa Vista. A região concentra o maior número de UPPs. São seis: Andaraí, Borel (Tijuca), Formiga (Tijuca), Macacos (Vila Isabel), Salgueiro (Tijuca) e Turano (Rio Comprido).

De seis crimes, apenas dois tiveram crescimento. Os casos de lesão corporal seguida de morte não tiveram nenhum registro, assim como em 2011. Já o crime de homicídio teve 6 casos a menos, assim como o de lesão corporal dolosa. Os registros de roubo a pedestres estão no mesmo patamar. De 571 para 364 casos, assim como as outras modalidades de roubo, como de celular, carga, ônibus, residência e comércio.