Passeata dos servidores em greve reúne mais de mil no Centro

Mais de mil pessoas marcharam pelas ruas do Centro do Rio na manhã desta terça-feira(31), em passeata realizada pelos servidores públicos federais em greve. A manifestação reuniu lideranças de diversas entidades grevistas que buscam chamar a atenção e pressionar o governo para que negocie com as categorias em paralisação.

Os manifestantes se concentraram na Candelária, onde fizeram os primeiros discursos criticando a inércia do governo frente à greve nacional e enfatizando o fortalecimento do movimento. Eles atacaram a mudança de postura da presidente que, segundo eles, “na época da VPR assaltava bancos em nome da democracia, e agora favorece os mesmos”.

Já com os carros de som, cartazes e faixas, os manifestantes ocuparam parte da Avenida Rio Branco de onde seguiram até a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ao longo do caminho a passeata ganhou volume com a adesão de populares que passavam pelo Centro.

“Olê olê, olê olá, contra o arrocho salarial/o servidor vai fazer greve geral” e “cadê o dinheiro/Dilma deu tudo pro bicheiro e pro banqueiro”, eram alguns dos cantos ensaiados pelos manifestantes, que misturavam coros bem humorados com outros carregados de críticas e adjetivos negativos. Os principais alvos foram a presidente Dilma e o governador Sergio Cabral.

Representantes de diversos sindicatos criticaram o adiamento da reunião com o comando de greve dos servidores, que seria realizado hoje. Eles temem que a proposta só seja apresentada perto do dia 31 de agosto, data limite do governo para entrega do Plano de Orçamento da União 2013. Após essa data não é possível definir novos reajustes para o próximo ano.

“Sentimos que vai ser a mesma situação que aconteceu no ano passado, o governo não negocia e quando chegar o dia 31 de agosto irá apresentar uma proposta qualquer e dizer  - é pegar ou largar”, avalia o coordenador da secretaria de administração do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal(Sintrasef), Geraldo Nunes.

Ao chegar na Alerj, os servidores aproveitaram a presença do Batalhão de Choque da Polícia Militar para lembrar do recente episódio no Hospital do Iaserj, quando na calada da noite foi realizada a transferência dos pacientes para esvaziar o prédio que será demolido. Na ocasião o Batalhão de Choque foi chamado para conter os protestos e "assegurar integridade dos pacientes".

“Esperamos que o Choque esteja aqui para prender os corruptos lá dentro da assembleia”, provocaram. “Estamos sendo liderados por governantes terroristas, não podemos aceitar que um complexo hospitalar seja exterminado.

Pelo menos 20 entidades estavam presentes na passeata, entre as categorias representadas estão as de educação, saúde, das agências reguladoras, de órgãos como o Ibama, IBGE, além de diretórios de estudantes do Colégio Pedro II, UFRJ e Uerj.

"Aqui há muitos servidores, com pautas diferenciadas, mas a greve é única. Queremos reajuste salarial, plano de carreira e melhores condições de trabalho", afirmou Cirlene Bianna, diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Sintrasef) e presidente da Associação de Servidores da Agricultura