Reitor da UFRJ contraria decisão federal e não cortará ponto de grevistas

Reitoria foi ocupada por alunos, docentes e servidores, que pressionaram pela decisão tomada

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Antônio Levi da Conceição, afirmou hoje, durante reunião do Conselho Universitário da UFRJ (Consuni), que não vai cortar o ponto dos professores e técnicos administrativos da instituição. A decisão vai de encontro à determinação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) no sentido de os órgãos federais descontarem dos vencimentos do servido público os dias de paralisação. Os docentes federais estão em greve desde 17 de maio.

“A posição da reitoria é de não se submeter a essa orientação”, disse Levi.

>> Alunos, professores e funcionários ocupam Reitoria da UFRJ

A decisão do reitor foi tomada sob pressão, já que a Reitoria da UFRJ foi ocupada por alunos, docentes e pessoal administrativo na tarde desta quarta-feira (11/07). O grupo buscava, também, chamar a atenção para as reivindicações dos servidores federais de todo o país. De acordo com lideranças grevistas, o ministério do Planejamento, responsável pelas negociações não está aberto ao diálogo.

“O governo age conosco de forma intransigente”, disse o presidente da Associação de Docentes da UFRJ, Mauro Iasi. “Até hoje, nenhuma proposta foi apresentada. O representante do Planejamento indicado para negociar parece ter sido desautorizado. Em meados de junho desmarcou uma reunião dizendo que a remarcaria. Até agora nada”.

De acordo com o ministério, o secretário de Relações do Trabalho da pasta, Sérgio Mendonça, responsável pelas negociações, se reunirá, às 15 desta sexta-feira (13), com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES-Federação), Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasef), Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), e representantes do Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira.  

“Do jeito que o governo tem se comportado, não dá para prever como será a conversa amanhã. Esperamos que eles [governo] apresentem de fato uma proposta concreta. A responsabilidade está nas mãos deles”, disse Marina Barbosa, presidenta do Andes.

O Comando Nacional de Greve afirmou que 95% das faculdades mantidas pelo MEC estão paralisadas. O movimento pleiteia carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios; variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35); e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho. Segundo os grevistas, alguns professores ganham um salário base R$ 557, ao qual são somadas as gratificações.

Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), pelo menos 26 categorias estão paralisadas. Ao todo, perto de 350 mil servidores ativos estão em greve. Funasa, Ministérios da Saúde, do Planejamento, do Trabalho e Emprego, da Integração Nacional, do Desenvolvimento Agrário, da Justiça, da Agricultura, Incra, Funai, Arquivo Nacional, Inpi, IBGE, além das instituições de ensino federais, fazem parte do movimento reivindicatório.

Apesar da posição favorável aos grevistas, o reitor da UFRJ deixou a reunião do Consuni sob vaias. Os estudantes exigiam que o conselho determinasse data para realização de uma audiência pública para debater a possibilidade de a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) assumir a administração das unidades de saúde geridas pela Universidade. 

Levi, no entanto, afirmou que o convênio com a empresa pública será analisado pelo serviço jurídico da UFRJ, e só então poderá ser debatido com a comunidade acadêmica.

“Primeiro temos de avaliar a proposta da EBSERH e interpretar se é conveniente ou não, e saber as consequências. Nossa intenção é garantir o serviço hospitalar comprometido com a qualidade de educação e de atendimento”, disse o reitor, que deixou a reunião do conselho sob os gritos de 'capacho do governo federal. Antes de deixarem a Reitoria, em assembleia, os alunos agendaram nova reunião para esta sexta-feira.