Paes usa contracheque de servidores para fazer campanha, diz procurador

Diversos servidores da prefeitura do Rio de Janeiro tiveram um susto ao receberem, há poucos dias, o contracheque do mês de junho. Junto com o demonstrativo de pagamento, foi anexada uma folha adicional relacionando supostas melhorias empreendidas pela atual gestão para o funcionalismo. Nem todos os servidores receberam o comunicado, mas funcionários da educação e da saúde confirmaram terem sido contemplados.

Após analisar o documento, obtido com exclusividade pelo Jornal do Brasil, o procurador regional eleitoral Maurício da Rocha Ribeiro afirmou se tratar de crime eleitoral por parte do prefeito Eduardo Paes:

"Essas situações de propaganda irregular têm que ser analisadas em conjunto com outros fatos. Em três anos de gestão, o prefeito nunca se preocupou em fazer esse tipo de divulgação. Por que fazer agora, três meses antes da eleição? A resposta é óbvia", garante Rocha Ribeiro.

O procurador ainda enxerga na atitude outras irregularidades:

"É abuso de poder político. Ele está usando os instrumentos que ele tem em mãos para fazer uma campanha ostensiva. O prefeito vai dizer que é publicidade regular, mas o fato é que só agora está dando publicidade a esses dados, justamente na época da eleição", completa.

Segundo Rocha Ribeiro, a Procuradoria Regional da República enviará ofício detalhada para a promotoria de primeira instância analisar e tomar as providências cabíveis.

Procurado pelo Jornal do Brasil, através de sua assessoria, o prefeito Eduardo Paes não se mainifestou sobre a questão até o fechamento dessa reportagem, na noite desta terça-feira (10).

Histórico de problemas

Esta não é a primeira vez que o prefeito Eduardo Paes fica na mira da Procuradoria Regional Eleitoral, na atual disputa eleitoral. Na semana passada, ele recebeu uma recomendação para não participar de duas inaugurações ao lado da presidente Dilma Rousseff e do governador Sérgio Cabral, no primeiro dia de campanha oficial. Mesmo assim, esteve nos dois eventos e ouviu da presidente e do governador amplos elogios à sua administração.

Antes disso, ele já havia sofrido duas ações por abuso de poder político. Em ambos os casos, ele e seus aliados, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram acusados de aproveitar inaugurações de obras públicas para pedir votos.

A última e mais pitoresca ocorrência foi na segunda-feira (9). O prefeito cedeu o Palácio da Cidade, sede do governo municipal, ao Botafogo de Futebol e Regatas para que o clube realizasse lá a primeira entrevista coletiva do craque holandês Seedorf. Paes posou para fotos ao lado do jogador e do presidente alvinegro, Maurício Assumpção, filiado ao PMDB e possível candidato a vereador em outubro.